PMs do Rio apagam pichação de traficantes

Munidos de escovões e broxas, policiais militares substituíram os garis na limpeza da capital fluminense. Eles foram incumbidos pelo secretário de Segurança, coronel Josias Quintal, de apagar as pichações feitas por traficantes para demarcação de território. Hoje, os PMs atuaram na favela Águia de Ouro, no Complexo do Jacarezinho, em Inhaúma, zona norte. O tráfico na região é controlado pela facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA).Três equipes do 3.º Batalhão da PM (Méier) passaram a manhã percorrendo as vielas da favela. Cada turma de quatro policiais levava duas latas de tinta para encobrir as inscrições dos traficantes. "Pedimos autorização dos moradores, e eles até agradeceram o nosso trabalho", disse o capitão Malheiros, que comandou a operação.Em alguns momentos os policiais viveram situações constrangedoras, como quando um dos PMs precisou revistar um suspeito. Ele levava uma broxa na mão, o revólver na outra, e acabou atrapalhado com o novo instrumento de trabalho. Os policiais também ouviram gracinhas de alguns moradores da favela.O comandante-geral da PM, coronel Wilton Ribeiro, reconheceu o "desvio de função" a que seus homens foram submetidos, mas disse que os policiais estão acostumados a enfrentar essas situações inusitadas. "Policial no Rio leva tesoura na viatura, porque volta e meia tem que cortar o cordão umbilical de criança que nasce no carro da polícia. Mas também não descuida do seu fuzil M-16, porque entra muita arma contrabandeada nesse Estado, e nós estamos preparados para enfrentar o crime", afirmou.O coronel achou graça das trapalhadas de alguns policiais durante a operação. "É falta de prática. Daqui a pouco eles aprendem a lidar com a broxa", brincou. Ribeiro ressaltou que "não é todo o efetivo policial" que está envolvido na ação "Apague a Pichação". "É só um grupinho", garantiu. De acordo com o comandante, o importante é encobrir as inscrições que "fazem apologia ao crime". "Estamos derrubando a simbologia dos traficantes", afirmou. A operação não tem data prevista para terminar. Todos os quartéis do Estado estão orientados a destruir pichações de traficantes.

Agencia Estado,

14 de janeiro de 2002 | 14h46

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