PMs executam suspeito de assalto

Policiais se ofereceram para socorrê-lo, mas balearam e jogaram corpo na represa de Mairiporã

Josmar Jozino e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2009 | 00h00

Em vez de levar um preso baleado para um hospital, três policiais do 9º Batalhão da Polícia Militar resolveram seguir até a Estrada de Santa Inês, na zona norte de São Paulo. Ali, obrigaram o suspeito a descer da viatura, uma Blazer da Força Tática, e executaram-no a tiros de pistola calibre 40. Depois, colocaram o corpo no carro e rumaram para a represa de Mairiporã, na Grande São Paulo. Pararam em uma ponte no limite com Franco da Rocha, do alto da qual jogaram o corpo.O que eles não esperavam é que a trama fosse descoberta pela Corregedoria, depois que seus colegas revelaram o desaparecimento do preso. Tudo começou às 3h30 de quarta-feira, quando um bando invadiu a agência do Banco Itaú na Rua Parapuã, na Vila Brasilândia, zona norte da capital, para furtar um caixa eletrônico. A polícia foi chamada para averiguar o que se passava na agência. Homens do 18º Batalhão da PM chegaram ao lugar e avistaram sete ladrões saindo da agência. O bando se dividiu em dois, abandonando dois maçaricos.Na Rua Orlinto Fraga Moreira, os ladrões atiraram nos policiais. No tiroteio, um dos suspeitos, identificado como Celso da Costa Bonfim, foi baleado e morto com seis tiros - o acusado estava com uma pistola calibre 40 que pertencia à Polícia Civil. Outra parte do grupo entrou em um Honda Fit e tentou escapar. Foram perseguidos pela equipe do segundo-tenente Diogo Luiz Carvalho, que bateu o carro em um poste. Feridos, os PMs foram levados ao Hospital da PM.Enquanto os policiais feridos no acidente eram socorridos, outra viatura do 18º Batalhão, o Corsa de número 18.325, abordou um homem que estava correndo em uma rua próxima da agência atacada. O suspeito estava ferido por um tiro no braço esquerdo. Os PMs iam conduzi-lo a um hospital, quando chegou ao local uma Blazer do 9º Batalhão da PM - viatura 09025. O policial que chefiava a equipe da Blazer, o sargento Marcelo Silva dos Santos, ofereceu-se para levar o detido ao hospital. Eram 3h40.Durante horas, os policiais militares que conduziram o registro do caso aguardaram a chegada da viatura com o preso em algum dos hospitais ou delegacias da região. A Corregedoria, que sempre acompanha os casos de morte em tiroteio, estava presente e passou a apurar o sumiço.O sargento e seus dois homens, os soldados Roberto Kayo Kisse e Eron de Oliveira Costa, foram detidos. Os soldados confessaram o crime e levaram os corregedores até o local da execução do suspeito - ainda não identificado - e de onde eles haviam jogado o corpo na represa.Na Estrada de Santa Inês, além de manchas de sangue no local, foram achadas cápsulas de balas disparadas de pistola calibre 40 - mesmo calibre da arma dos PMs. Na ponte, também havia manchas de sangue. Na manhã de ontem, bombeiros encontraram o corpo na represa. À tarde, os policiais da viatura do 18º Batalhão que haviam prendido o suspeito reconheceram o corpo do homem pardo, de 1,75 metro de altura e cerca de 35 anos.

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