PMs grevistas reduzem lista de reivindicações ao governo da Bahia

Antes, eram seis os pedidos feitos por movimento, agora eles querem anistia e gratificação por atividade

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2012 | 20h00

SALVADOR - O comando do movimento grevista que atinge parte da Polícia Militar na Bahia admitiu, na tarde deste sábado, 4, ter diminuído a lista de exigências para que a paralisação dos PMs seja concluída e que a Assembleia Legislativa, ocupada por manifestantes desde a terça-feira, seja liberada.

Segundo o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), entidade que deflagrou o movimento, Marco Prisco, a pauta de reivindicações, que inicialmente listava seis itens, como incorporação de gratificações aos salários e regulamentação para o pagamento de adicionais, como de periculosidade e acidente, foi reduzida a dois: anistia dos grevistas e o pagamento da Gratificação por Atividade de Polícia.

"Veja que são pedidos simples, um é relativo ao retorno ao trabalho dos colegas e o outro é apenas cumprir o que já determina a lei", diz Prisco. Ele acrescenta que também abriu mão de participar das negociações com o governo do Estado - a associação que dirige não é reconhecida pelo comando da PM no Estado como entidade de classe. "O que falta ao governo é apenas dialogar com seriedade, porque já diminuímos bastante a pauta para colaborar com a sociedade, que está clamando por segurança."

Quando informado de que o governador não negociaria a anistia aos grevistas e que ainda havia acusado os participantes do movimento de crimes, incluindo homicídios, Prisco disse concordar que a anistia não se aplique nesses casos, se comprovados.

"Se o governador diz ter certeza de que há policiais praticando crimes pelo Estado, esses crimes devem ser investigados e punidos como determina a lei, sem dúvida", afirmou. "Não é o nosso caso, aqui, e nenhuma prática criminosa partiu ou foi pedida pela gente. Estamos em um movimento pacífico na Assembleia e o pedido de anistia é apenas para os integrantes desse movimento."

Visivelmente cansado depois de quatro dias de mobilização na Assembleia Legislativa, vestindo chinelo de dedo, bermuda, camiseta regata e colete balístico e vendo ser cumprida a ordem da Justiça de reintegração das 16 viaturas policiais que estavam sob poder dos grevistas desde terça-feira, Prisco só elevou o tom ao comentar sobre os 12 mandados de prisão que, segundo o governador, já foram expedidos pela Justiça baiana contra as lideranças do movimento.

"Não me chegou nenhuma informação a esse respeito, não sei nem se estou entre eles, mas sei que não cometi nenhum crime", afirmou. "Se houver, mesmo, o mandado de prisão, que venham cumprir. Agora, a tropa que está aqui já disse que não vai aceitar isso. Será que o governo do PT, que tanto critica a operação do Pinheirinho, vai querer fazer a mesma coisa aqui? Invadir um lugar onde há pais, mães, crianças, trabalhadores?"

Filiado ao PSDB há três meses, depois de passar os últimos anos no PSOL - antes, foi integrante do PT e do PC do B -, o ex-soldado da PM, afastado dos quadros da corporação em 2002, depois de ter integrado a liderança da maior greve da PM no Estado, em julho de 2001, também falou sobre política.

Hoje, trata a manifestação de 11 anos atrás com certo sarcasmo, ao lembrar que o então deputado Jaques Wagner, junto com outras lideranças dos partidos da então oposição ao governo César Borges (à época no PFL de Antonio Carlos Magalhães), apoiaram, com recursos e equipamentos, a manifestação à época. "Será que não existe mais ninguém daquele PT hoje?", ironiza.

Ele também admitiu a possibilidade de se candidatar a vereador, este ano, mas disse estar insatisfeito com o partido. "Sou um ser político, um revolucionário, e tenho o direito de ser candidato, mas o futuro a Deus pertence", disse. "Troquei o PSOL pelo PSDB por divergências internas do partido, mas não sei se vou continuar filiado. Até o momento, ninguém do PSDB veio aqui apertar minha mão para me dizer 'bom dia, você está bem?'. Não houve nenhuma declaração pública."

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