PMs levantaram ficha de 2 acusados antes de chacina e suposto tiroteio

Consulta ajuda a desmontar versão de policiais do 18.º Batalhão, já detidos, sobre morte de ex-presidiários

Josmar Jozino e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

Policiais militares consultaram a ficha de Charles Wagner Felício e de Cleiton de Souza horas antes de os dois aparecerem mortos - segundo os PMs, por resistirem à prisão, às 20h10 de 24 de maio de 2007, minutos depois de praticarem uma chacina que deixou três mortos no Jaraguá. A consulta da ficha dos dois é mais uma prova que desmonta a versão dos policiais para o crime, já que eles não poderiam adivinhar que perseguiriam Charles e Cleiton horas depois. A suspeita é que a morte de ambos serviu para encobrir os verdadeiros autores da chacina: PMs do 18º Batalhão.Segundo policiais civis que investigam o caso, a consulta só faria sentido se os dois estivessem detidos antes da chacina - como alega a viúva de Charles, Maricleide da Silva Felício, e comprovam fotos tiradas por ele. Charles era um ex-presidiário, que cumpriu 13 anos de prisão, e Cleiton estava em liberdade condicional. Charles tirou as fotos com o celular e escondeu o aparelho em sua cueca - ele só foi encontrado no hospital. Nas imagens, aparece num carro ao lado de uma Blazer igual à da Força Tática da PM.Maricleide contou que, naquele dia, ela, a filha de 6 anos, o marido e Cleiton saíram no Corsa de Charles em busca de assistência técnica para um microondas. Quando pararam na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, Maricleide e a filha desceram e entraram na loja. Foi quando, segundo ela, duas Blazers da Força Tática cercaram o Corsa.Maricleide disse que os policiais colocaram Charles e Cleiton no interior de uma das Blazers, enquanto um policial assumiu a direção do Corsa. Isso ocorreu às 15h30, horário em que a consulta das fichas foi realizada.Na semana passada, o 2º Tribunal do Júri decretou a prisão de quatro PMs da Força Tática do 18º Batalhão que disseram ter matado Charles e Cleiton num tiroteio. Os acusados ainda sustentam a versão do tiroteio. A Polícia Civil deve pedir a prisão preventiva dos PMs, para que permaneçam presos até o julgamento do caso.

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