PMs matam 1 por dia em São Paulo

CPChoque, formado pela Rota, Tropa de Choque e Cavalaria, responde por 15% das 253 mortes de janeiro a agosto

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2021 | 00h00

O Comando de Policiamento de Choque (CPChoque), a tropa de elite da Polícia Militar, que inclui a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), é campeão absoluto em casos de resistência seguida de morte - quando alguém acusado por algum crime reage à prisão e morre em suposta troca de tiros com PMs. Em julho, o CPChoque sozinho matou a mesma quantidade de civis que os 25 batalhões da capital. Segundo a Ouvidoria da Polícia, de janeiro a agosto deste ano, 253 civis morreram em supostos confrontos com PMs em serviço no Estado, a média de uma morte por dia. O CPChoque foi responsável por 38 mortes ou 15% do total. Nesses oito meses, 20 PMs morreram em serviço. Só um do CPChoque. Em 2006, quando ocorreram os ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contra as forças de segurança, 495 pessoas morreram no Estado em supostas trocas de tiros com PMs em serviço. Isso representou uma média de 1,3 morte por dia. Aos homens do CPChoque foram atribuídas 94 mortes - 19% do total. Em julho e agosto deste ano, 83 pessoas morreram em eventuais tiroteios com policiais militares em serviço. Nesse mesmo bimestre, o CPChoque matou 21 pessoas, ou 25,3%. Apenas em julho foram 42 civis mortos por PMs. Desse total, 12 ou 28,5% teriam trocado tiros com homens da tropa de elite. No mesmo mês, nenhum PM do CPChoque foi morto nas ocorrências de resistência à prisão. Em julho, o CPChoque sozinho, cujo efetivo é de 6 mil homens, matou a mesma quantidade de civis (12) que os PMs dos 25 batalhões da capital juntos, com 25 mil praças e oficiais. Outros 10 civis morreram nas mãos de PMs dos 19 batalhões da Grande São Paulo, subordinados ao Comando de Policiamento Metropolitano (CPM). Os batalhões do interior responderam por oito mortes. Já no mês passado, 41 civis morreram em eventuais casos de resistência à prisão. A tropa de elite voltou a mostrar sua letalidade: foi responsável por nove mortes ou 22% do total. Nenhum PM do Choque morreu em serviço nesse período. Os 25 batalhões da capital registraram as mortes de outros 21 civis. Os PMs dos 19 batalhões da Grande São Paulo mataram seis pessoas e os do interior, cinco. Os mapas da Ouvidoria da Polícia, feitos com base em informações da PM, mostram, em supostos confrontos,foram 22 mortes em janeiro; 21 em fevereiro; 26 em março; 29 em abril; 42 em maio; 30 em junho; 42 em julho e 41 em agosto. Setembro começou com quatro mortes de civis em apenas uma hora. Um deles morreu às 20h43 do dia 1º, no cruzamento da Avenida Sumaré com a Rua Ministro de Godoy, em Perdizes, zona oeste. Segundo a PM, um assaltante foi surpreendido com uma vítima num carro roubado. Ele teria trocado tiros com PMs da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), unidade subordinada ao CPChoque, e morreu no PS São Camilo. Às 21h49 da mesma noite, três homens acusados de cometer seqüestro relâmpago na Avenida Tereza Maia Pinto, Vila Prel, zona sul, foram flagrados por PMs da Rota. O trio teria resistido à prisão e morreu no PS Campo Limpo. Nos dois casos, vítimas e PMs escaparam ilesos. A PM informou que os homens do Choque têm maior potencial ofensivo porque são mobilizados para apoiar as ocorrências de maior gravidade. Segundo a PM, policiais do Choque são os que mais apreendem armas e drogas. A assessoria acrescentou que a PM vem se esforçando para reduzir o índice de letalidade e também o número de policiais mortos e feridos em serviço. Até agosto, 20 PMs morreram em serviço e 368 ficaram feridos.

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