PMs matam suspeito durante abordagem desastrosa em Belém

Soldados teriam confundido walkman com um revólver e fuzilado a vítima com 2 tiros, um deles pelas costas

Ricardo Valota, Central de Notícias

16 Julho 2009 | 03h53

Três policiais militares da 1ª Zona de Policiamento de Belém (PA) estão sendo investigados pela Corregedoria da corporação, pois são acusados de matar, na tarde da terça-feira, 14, por engano, Emerson Willies Cruz Freitas, de 35 anos, no bairro da Pedreira.

 

O tenente Jairson Rosa Vaz, o cabo Carlos Renato Silva de Oliveira e o soldado Genilson da Silva Costa abordaram Freitas que, segundo parentes, sofre de esquizofrenia e, segundo a polícia, não tinha antecedentes criminais, quando o rapaz caminhava por uma rua do bairro.

 

A vítima carregava debaixo da camisa, preso à cintura, um walkman. Na Delegacia Seccional de Pedreira, os policiais apresentaram um revólver calibre 38 como sendo de Emerson.

 

Porém, de acordo com relato do delegado Fernando Silva, duas testemunhas depuseram e afirmaram que Emerson, ao ser abordado pelos PMs, levantou a camisa e mostrou que não portava arma. Um dos policiais já teria descido da viatura apontando uma pistola para a cabeça do rapaz.

 

Ao se assustar com o movimento feito pelo suspeito e confundir o walkman com uma arma, o policial teria atirado contra o peito da vítima, que ainda correu e, mesmo com a camisa ainda erguida, foi novamente baleada, desta vez por um tiro de fuzil.

 

No depoimento, as testemunhas ainda acusam os policiais de mexer na cena do suposto crime. Ao verem que haviam cometido um erro grave, os soldados teriam vestido luvas cirúrgicas e retirado o corpo do local. As testemunhas afirmam terem presenciado toda a ação.

 

Segundo o corregedor da PM do Pará, Hélio Barbas, caso a versão das testemunhas fique provada, os policiais poderão ser expulsos. O tenente, o cabo e o soldado não foram afastados preventivamente de suas funções. Nesta quarta-feira, 15, eles continuavam trabalhando nas ruas, mas em outro bairro.

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