PMs montam guarda na Ceasa para evitar saque

Policiais militares que montavam guarda nos escombros do Pavilhão 24 da Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa), incendiado na última quinta-feira, organizaram neste domingo em filas cerca de 2 mil pessoas, moradores de favelas da região, que foram saquear os alimentos abandonados no local.Segundo PMs, os comerciantes liberaram os produtos que não poderiam aproveitar, e, por isso, a entrada das pessoas foi organizada, para evitar tumultos. Mas o presidente interino da Ceasa, Elio Ferreira de Souza, disse que lojas do mesmo pavilhão que escaparam ao fogo também foram invadidas e tiveram seus estoques furtados.A invasão aconteceu por volta de 10h deste domingo e durou cerca de quatro horas. Para invadir o local, moradores de pelo menos cinco favelas se aglomeraram junto às ruínas fumegantes, postando grande quantidade de crianças na frente e ignorando o perigo de desabamento.Foram levados produtos catados nos escombros e furtados de lojas invadidas. Havia só cerca de 30 policiais. Na noite deste sábado, segundo invasores que preferiram não se identificar, já tinha ocorrido uma tentativa, mas os PMs reagiram a tiros e golpes de cassetete.Neste domingo, contudo, gente demais invadiu a área. A PM só agiu para evitar confusão. A alternativa, de acordo com os agentes, seria usar a violência. No meio da multidão, multiplicavam-se as histórias de miséria.Havia muitos idosos e desempregados. ?Vou alimentar a família o mês todo?, disse a desempregada Simone da Silva, de 20 anos. Foi a sexta vez em que a Ceasa pegou fogo, em seus 28 anos de existência.Em ocasiões anteriores, depois de incêndios, como em julho do ano passado, também houve saques. Muitos alimentos levados não tinham condição de consumo, depois de atingidos pelo fogo, pela água e de ficarem expostos ao sol e ao ar livre por mais de dois dias.O fogo destruiu 80% das lojas. O presidente interino da Ceasa classificou o que aconteceu de ?invasão? e ?saque?. No pavilhão incendiado, havia grandes estoques de alimentos, como arroz e feijão, além de material de limpeza e higiene.?Eles entraram e começaram a pegar as mercadorias?, disse Souza. ?Ficou incontrolável, e só poderíamos tirar aquela multidão com violência. Fiquei num drama. A polícia agiu com ponderação e procurou organizar. A PM fez o que podia fazer.?A maior preocupação de Souza era com o risco de desabamento da parte do pavilhão que não foi atingida pelo incêndio, condenada pela Defesa Civil, onde lojas foram atacadas. ?O local está interditado. Se aquela cobertura caísse, seria uma tragédia.?O presidente da Ceasa disse que a polícia só conseguiu evacuar o pavilhão às 14 horas. ?A área está isolada e neste domingo entramos com as máquinas para retirar os escombros.?Um policial do 9.º Batalhão, que não quis ser identificado, disse que não houve saque, mas distribuição de alimentos a moradores da região com o consentimento da administração da Ceasa - que não confirmou a informação.Cinqüenta homens do Batalhão de Choque, do Grupamento Especial Tático Móvel (Getam) e do 9.º BPM fazem a segurança do pavilhão 24, que pegou fogo. Segundo o policial militar, a distribuição foi feita de modo ordeiro. Em julho do ano passado, quando o pavilhão 41 foi destruído pelo fogo, houve saques generalizados. O Estado não conseguiu localizar o secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, para comentar o episódio.

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