PMs presos geram filho em cadeia militar de SP

Tratamento diferente para um oficial, trânsito livre a protegidos pela diretoria e até uma soldado grávida do marido, um cabo, apesar de os dois estarem em celas separadas. Esses são alguns privilégios a que teve acesso um grupo de detentos do Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Ex-PMs da unidade, transferidos na semana passada, fizeram as denúncias. A PM confirma parte delas.A soldado Isabel Maximiano, de 36 anos, mesmo presa na ala feminina, a 20 metros da masculina, engravidou do marido, o cabo Marcelino Lopes, de 39. O bebê já nasceu. Por causa da gravidez, no fim do ano passado a defesa da policial entrou com recurso, pedindo sua liberdade provisória. O promotor Alexandre Pereira, do 2º Tribunal do Júri, foi contra. A soldado e o cabo foram presos em flagrante em 2007 por tentar matar o perueiro Emerson de Souza.Segundo o Ministério Público Estadual, o casal tinha patrimônio incompatível com os salários. Os dois eram lotados no 18º Batalhão, subordinado ao coronel José Hermínio Rodrigues, morto em janeiro de 2008 quando investigava o envolvimento de PMs com caça-níqueis e lotações.Outro caso de regalia envolve o major Altair do Carmo Lima, que teve prisão preventiva decretada em 12 de março. Ele é acusado de arrecadar dinheiro da máfia dos caça-níqueis e de peruas clandestinas quando comandava o 31º Batalhão, em Guarulhos. O major não ficaria na cela, mas em alojamento, e teria livre trânsito, mesmo no setor administrativo, onde costuma dar telefonemas. O soldado Rodolfo Vieira, preso em janeiro acusado de integrar um grupo de extermínio, do 37º Batalhão, teria regalias, por ser "apadrinhado" de oficiais superiores.

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