PMs que atiraram em garoto são indiciados por homicídio doloso

Vídeo desmente a versão aparesentada pelos policiais, de que eles estavam trocando tiros com bandidos

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2008 | 14h15

O delegado Walter Oliveira indiciou nesta terça-feira, 8, por homicídio doloso os dois policiais militares acusados de matar o menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, na noite de domingo, na Tijuca (zona norte do Rio). O delegado titular da 19º DP, que fica a 200 metros do local do crime, pediu ainda à Justiça a prisão temporária por trinta dias dos dois PMS.   "Estou convencido da intenção deles de matar. Acredito que tenha sido um erro lamentável, mas o carro da família de João e o dos criminosos que eles perseguiam são totalmente diferentes. Eles atiraram para matar, mesmo que no carro errado", afirmou Oliveira. O delegado informou que foram fundamentais as imagens do circuito de segurança do prédio que fica quase em frente ao local do crime.   A mãe de João, a advogada Alessandra Soares, voltava para casa quando percebeu que um carro da Polícia Militar vinha em alta velocidade atrás dela. Ao encostar em frente ao número 399 da Rua General do Espírito Santo Cardoso, para dar passagem aos PMs, ela foi surpreendida com o fuzilamento do seu carro, um Fiat Palio grafite. Os policiais perseguiam um Fiat Stilo preto, mas confundiram os carros. Eles desceram do veículo policial e dispararam pelo menos 15 tiros contra o carro da advogada.   João foi atingido por uma bala na nuca, outra nos glúteos e ainda foi ferido de raspão na orelha. O menino teve morte cerebral diagnosticada na tarde de segunda-feira. Os pais autorizaram a doação dos órgãos, mas apenas as córneas puderam ser aproveitadas. Ele será enterrado nesta terça-feira, às 17 horas, no Cemitário do Caju.   Vídeo desmente PM   Imagens das câmeras de um edifício obtidas pela Polícia na segunda-feira, 7, confirmam que no momento em que os dois policiais abrem fogo contra o Palio Weekend em que estavam João Roberto, sua mãe e o irmão caçula, estava parado junto ao meio-fio do lado esquerdo, os bandidos que eles perseguiam não estavam mais na rua.   O vídeo mostra que carro onde estavam os criminosos passa em alta velocidade pela Rua General Espírito Santo Cardoso. No semáforo, o carro bate levemente em outros automóveis e escapa. Em seguida, a mãe de João Roberto pára o carro do lado esquerdo. Os policiais descem da viatura e se posicionam atrás de um poste e de uma árvore, atirando na direção do Palio.   Os policiais são os soldados William de Paula e Elias Gonçalves da Costa Neto. Um deles aparece próximo ao veículo no momento em que a mãe joga a bolsa do bebê pela janela do carona, com o intuito de alertá-los de que estava com as crianças no veículo.

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