PMs que mataram garoto têm prisão temporária decretada

Governador do Rio afirmou que os dois serão expulsos da polícia e os chamou de 'débeis mentais'

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2008 | 11h39

O juiz de plantão do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Rocha, decretou no fim da noite de terça-feira, 8, a prisão temporária por 30 dias do cabo William de Paula, de 36 anos, e do soldado Elias Gonçalves da Costa Netto, de 30 anos. Os policiais militares foram indiciados horas antes pelo assassinato do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, na noite de domingo. O delegado responsável pelo inquérito, Walter Alves Oliveira, afirmou ontem estar convencido que os policiais militares atiraram no carro da família de João com o intuito de matar quem estava dentro do carro, apesar de ele entender que os PMs acreditavam que havia criminosos no automóvel.   Veja também: Córneas do menino morto são últimas do banco de olhos do Rio Polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata no mundo MP pede prisão e PMs são indiciados por fuzilar menino Governador manda expulsar 'débeis mentais' da PM   Oliveira indiciou os PMs por homicídio doloso (com intenção de matar) qualificado (porque não houve chance de defesa). O pedido de prisão feito pelo delegado foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, que o remeteu à Justiça no início da noite de ontem. No início da madrugada, os dois PMs foram levados do 6º Batalhão de Polícia Militar, onde estavam presos administrativamente, para o Batalhão Especial Prisional, para cumprimento da medida judicial.   Na terça-feira, 8, o governador Sérgio Cabral garantiu que os dois policiais militares serão expulsos da corporação. "Estão fora da PM. Não tem conversa. Estão fora, como já foram para fora 300 (desde o início do seu governo)." O governador os chamou de "dupla de débeis mentais, sem discernimento" e de "assassinos". Na opinião de Cabral, João Roberto foi uma vítima da "incompetência dos dois policiais que abordaram o carro da mãe". "Como governador, (vejo que foi) um erro fatal. Uma completa incapacidade de discernimento num momento de tensão. Uma atrocidade cometida contra um inocente. O Brasil inteiro se chocou com o crime. Eu, como pai, custei a dormir essa noite, com a imagem do pai do menino na cabeça, pelo seu depoimento, seu desespero e seu sofrimento. Entendemos que a natureza da função do policial militar, pelo nível de estresse que vive, ele precisa de uma revisão dessa abordagem em diferentes situações que enfrentam no dia-a-dia." Cabral informou também que, em 15 dias, os órgãos que têm PMs cedidos serão obrigados a devolver 30% dos funcionários à corporação. O Tribunal de Justiça perderá 175 policiais, o Ministério Público, 75, e a Assembléia Legislativa do Estado, 40. Antes de serem reintegrados à tropa, os PMs passarão por curso de reciclagem. "É uma determinação do executivo", afirmou Cabral.

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