PMs são afastados após morte de garoto durante operação em Salvador

Moradores dizem que policiais chegaram ao local atirando, mas eles afirmam que trocavam tiros com suspeitos; menino de 10 anos foi baleado na cabeça dentro de casa

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2010 | 17h17

SALVADOR - Os nove policiais militares que participaram da ação de repressão ao tráfico de drogas no bairro de Nordeste de Amaralina, em Salvador, na madrugada de sábado, foram afastados das operações de rua pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Na ação, o estudante Joel da Conceição Castro, de 10 anos, morreu atingido na cabeça por uma bala perdida. Até que o inquérito sobre a morte do menino seja concluído, os policiais cumprirão atividades administrativas.

Moradores do bairro acusam o grupo de PMs, que integram a 40ª Companhia Independente, de ter chegado ao bairro atirando e de ser o responsável pela morte. Os policias afirmam que trocavam tiros com criminosos e que os disparos que atingiram a casa onde estava o estudante teriam partido de uma arma encontrada na frente de uma casa no bairro. As pistolas usadas por eles foram entregues à corporação e estão passando por perícia.

O enterro do menino foi realizado no início da tarde de hoje, no Cemitério do Campo Santo, no bairro da Federação, na capital baiana. Cerca de 200 pessoas, entre familiares, moradores do bairro e colegas de escola e do grupo de capoeira que Joel integrava, o Gingado Baiano, promoveram manifestações durante a despedida. Com cartazes, cobraram rapidez nas investigações e improvisaram uma roda de capoeira em frente ao túmulo. Após o enterro, eles promoveram uma caminhada pelo bairro para protestar contra a ação dos policiais.

O pai da vítima, o capoeirista Joel Castro, conhecido como mestre Ninha, e os colegas da Gingado Baiano, preparavam-se para uma série de apresentações na Itália, no início de 2011. No início do ano, o estudante, junto com o pai, havia estrelado uma propaganda do governo da Bahia, para promover o turismo no Estado.

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