PMs são executados em posto policial no Rio

Policiais varriam calçada quando foram surpreendidos pelo ataque à cabine que fica próxima do acesso do Morro do Andaraí, na zona norte

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

Dois policiais militares foram assassinados com tiros de fuzil e pistola no início da manhã de ontem, na frente do posto policial instalado em um dos acessos ao Morro do Andaraí, no Grajaú, zona norte do Rio. A cabine é blindada, mas os PMs estavam do lado de fora. Eles chegaram às 7 horas, quando houve a troca de plantão, e varriam a rua quando foram atacados, segundo relatos.O cabo Leonardo Peterson de Freitas morreu no local e o terceiro sargento Marco Aurélio Alves ainda conseguiu correr para dentro do posto e tentou reagir, mas foi atingido na cabeça por dois tiros e morreu. Duas horas e meia após o ataque, a cúpula da Polícia Militar foi à favela. O comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, disse que a ação possivelmente ocorreu em represália à operação policial que era realizada no morro desde a noite de quarta-feira. Segundo testemunhas, eram cerca de 30 criminosos, que se dividiram em dois grupos. Uma parte desceu por uma escadaria que fica ao lado da cabine da polícia, e outra, por um dos acessos ao morro. Na porta da cabine ficou uma poça de sangue. Somente às 11h30, quando chegaram os peritos da Polícia Civil, a área foi isolada. As armas dos policiais não foram roubadas. Além da possível represália que teria resultado na emboscada, outra hipótese levantada pelo comandante do 6º Batalhão da PM, tenente-coronel Roberto Alves de Lima, foi a de traficantes de outra favela que estão escondidos no Andaraí terem fugido por causa da operação. Sem conhecer o morro, teriam se deparado com os policiais. Os criminosos, segundo ele, seriam da Favela do Arará, na zona norte, onde o trem em que viajavam os ministros das Cidades, Márcio Fortes, e dos Portos, Pedro Brito, foi atacado a tiros, em setembro. A operação no Andaraí foi planejada após a polícia ter encontrado dois corpos, na terça-feira, em um local conhecido como Borda do Mato. Seria um acerto de contas entre criminosos. O Clube de Cabos e Soldados da PM ofereceu recompensa de R$ 5 mil por informações que levem à prisão dos assassinos. Na entrevista, Ubiratan mandou um recado àqueles que criticam a política de segurança do governo estadual. "Os policiais foram covardemente assassinados. Convido as pessoas que criticam a polícia e têm amor pela vida a ir ao enterro deles."O cabo Leonardo Magalhães, lotado no 3º Batalhão da Polícia Militar, foi preso administrativamente ontem, por determinação da Corregedoria da PM. Ele é irmão do gerente do tráfico no Morro do Andaraí, Gláucio Andrade Magalhães, também preso na manhã de ontem depois do assassinato dos dois PMs. O cabo foi detido quando chegava à favela. Ele está sendo investigado por envolvimento com o tráfico e é suspeito de ter desviado munição do batalhão para a quadrilha do irmão.

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