PMs são mortos em carro ao fazer patrulha

?Acreditamos que foi uma quadrilha que se preparava para um delito?, disse capitão da Rota, descartando execução; dois suspeitos foram presos

Marcela Spinosa e Ricardo Valota, O Estadao de S.Paulo

01 de maio de 2009 | 00h00

Dois policiais militares em serviço foram assassinados por volta das 3 horas de ontem, em Santo André, no ABC paulista. Ocupantes de pelo menos dez veículos e três motos atacaram os soldados José Marcelo da Silva, de 49 anos, e Uemerson Silva dos Santos, de 31, do 10º Batalhão do município. Até as 20 horas de ontem, dois suspeitos haviam sido presos.Segundo a polícia, os PMs faziam patrulhamento quando foram surpreendidos por criminosos armados de fuzis e revólveres na esquina da Avenida dos Estados com a Rua Engenheiro Olavo Alásio de Lima. Eles cercaram a viatura, desceram e começaram a atirar. "Acreditamos que era uma quadrilha que se preparava para cometer algum delito. Por ora, está descartada a possibilidade de execução ou vingança", afirmou Ben Hur, capitão da Rota. As marcas das balas mostram que os tiros vieram de todos os lados. Os soldados ainda saíram da viatura na tentativa de fugir. Um deles, segundo a polícia, foi atingido por mais de dez tiros. Uma testemunha contou ter ouvido mais de 50 tiros de fuzis. No local, foram recolhidas cápsulas de fuzil 556.Gravemente feridos, os PMs foram levado para o Pronto-Socorro Bartira, mas não resistiram e morreram. Os atiradores fugiram. Policiais militares e civis fizeram varredura na região. Por volta das 11 horas de ontem, a Rota recebeu denúncia anônima e prendeu dois homens, cujas identidades não foram divulgadas. Um deles tem passagem por roubo a banco. "Apesar de eles não terem confessado, imaginamos que, por meio deles, chegaremos ao resto da quadrilha", disse Ben Hur. Foram apreendidas quatro armas - dois fuzis e dois revólveres -, cerca de 800 cartuchos para fuzil 556, cinco carros e três motos. A polícia não sabia informar se os veículos eram roubados. O soldado Silva trabalhava na PM desde 1988. Ele era casado e tinha um filho. Já o soldado Santos pertencia ao efetivo policial desde 2006. Ele também era casado, mas não tinha filhos. Os corpos das vítimas foram velados ontem na sede do 10º Batalhão de Santo André. O enterro está marcado para hoje, às 10 horas, no Mausoléu da PM, no Cemitério do Araçá, em São Paulo. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Santo André e a investigação contará com a ajuda dos policiais da Delegacia de Homicídios da cidade.ESTATÍSTICASO número de PMs mortos em serviço caiu no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2008, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Entre janeiro e março de 2008, oito PMs foram assassinados. Neste ano, foram três.

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