PMs são presos acusados de matar moradores em favela do Rio

Dez dos 17 suspeitos de matar sete moradores da Favela do Barbante já foram identificados, diz delegado

da Redação,

21 Agosto 2008 | 12h51

Dez dos 17 participantes da chacina que deixou sete mortos na Favela do Barbante já foram identificados, segundo afirmou o delegado Marcus Neves da 35ª DP de Campo Grande, na zona oeste, do Rio, nesta quinta-feira, 21. Entre os assassinos estão três policiais militares, dois policiais civis e um bombeiro que tiveram a prisão pedida.   De acordo com o delegado, o filho do vereador preso Jerominho, o ex-PM Luciano Guinâncio, de 29 anos, participou ativamente com um dos executores da chacina. Neves acompanhou o fim do depoimento do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, à CPI das Milícias na Assembléia Legislativa do Rio.   Entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta, sete pessoas foram mortas na favela do Barbante, em Campo Grande, na zona oeste do Rio. Segundo o titular da 35ª Delegacia de Polícia, delegado Marcus Neves, todos são moradores inocentes, sem ligação com criminosos e que teriam sido assassinados por milicianos da Liga da Justiça, grupo que seria comandado, segundo a polícia, pelo deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), ambos presos em Bangu 8.   O filho do vereador, o ex-PM foragido Luciando Guimarães, liderou o ataque, segundo o delegado. "Desde a prisão de Natalino, no mês passado, as favelas de Campo Grande que são dominadas pelo grupo de milicianos está enfraquecendo. A Carobinha, por exemplo, já foi tomada por traficantes da facção ADA (Amigo dos Amigos). Na semana passada, traficantes do Comando Vermelho tentaram tomar a favela do Barbante, mas não conseguiram. Por isso, os milicianos atacaram, querendo culpar um ataque de traficantes", disse o delegado.   Neves informou que, dos 17 homens que teriam entrado encapuzados na favela para promover os "assassinatos aleatórios", dez já estão identificados e são integrantes do grupo armado da Liga da Justiça, que seria comandado por Luciano. Parte deles já foi denunciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha e diversos homicídios. A identificação do bando foi possível porque moradores do Barbante anotaram placas dos carros com os quais os criminosos entraram na favela.   Vítimas Até a noite de quarta, a polícia havia divulgado apenas o nome do comerciante Ariovaldo da Silva Nunes, de 37 anos, entre os mortos. "O objetivo desses milicianos, que são muito mais organizados que os traficantes, é também enganar a comunidade que atacaram. Eles querem mostrar que a população vai sofrer muito mais se os traficantes entrarem ali", analisou. O Regimento de Polícia Montada (RPMont) da Polícia Militar ocupou a favela para dar proteção aos moradores, mas ninguém havia sido preso até o fim da noite.   O delegado comemorou a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de Lei que vai tipificar e punir o crime de milícia, com pena prevista para quatro a oito anos de prisão, e ainda de uma a dois anos para quem oferecer ou prometer serviço de segurança sem autorização legal.

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