Poder da caneta e período de lua de mel favorecem presidente

A votação do salário mínimo de R$ 545, amanhã, será um capítulo importante na história do sucesso ou fracasso do governo de Dilma Rousseff.

Denise Madueño e Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 00h00

As declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e dos interlocutores do Palácio Planalto não dão margem para aprovação de outro valor. Dilma só sairá vitoriosa amanhã, se for aprovado o valor por ela fixado. Até um eventual adiamento da votação marcada para amanhã representará uma fragilidade do governo.

O tamanho da vitória ou da derrota pode ser medido pelas facilidades que a presidente conta neste início de mandato. A favor do mínimo de R$ 545, Dilma tem o poder da caneta. Ela segurou para depois da votação a distribuição dos cargos de segundo e terceiro escalões e nas empresas estatais para os deputados e senadores "leais".

A história também mostra que os parlamentares que acabam de chegar ao Congresso não costumar ir para o embate com o governo e demonstram "boa vontade" com o presidente recém-empossado. Além disso, os parlamentares não correm o risco de um desgaste imediato junto aos eleitores. A próxima eleição é só daqui a um ano e meio, tempo suficiente para que eventuais impactos políticos negativos sejam diluídos.

Soma-se a isso o fato de Dilma ter um partido forte - o PT é a maior bancada da Câmara -, uma coligação que reúne 388 deputados federais e uma oposição fraca e numericamente reduzida.

Com um cenário bem menos favorável, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, eleito pelo obscuro PRN e sem aliados de peso no Congresso, conseguiu aprovar o confisco do dinheiro da população depositado nos bancos, em 1990.

A oposição barulhenta do PT e dos partidos de esquerda também não impediu o Congresso aprovar as privatizações de estatais encaminhadas no primeiro anos de governo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Egresso do movimento sindical, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi outro que mostrou força fazendo mudanças na Previdência e mexendo com as aposentadorias no primeiro ano de governo. "Não existe facilidade quando se fala em mínimo. Mas a base do governo precisa ter consciência de que é o primeiro ano do governo Dilma", argumenta ex-ministro da Previdência e deputado Ricardo Berzoini (PT-SP).

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