Poder público vai controlar tarifa de novo bilhete

Estudo mostra que concessionário deverá lucrar R$ 185 milhões ao ano

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

O valor da tarifa do futuro Bilhete Integrado Metropolitano (BIM) - sistema pelo qual o usuário do transporte público na Região Metropolitana poderá se deslocar por um determinado tempo usando um bilhete eletrônico - continuará a ser administrado pelo poder público, garante Paulo Menezes, gerente de planejamento financeiro do Metrô. A empresa que ganhar a licitação para prestar os serviços de arrecadação das tarifas do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da São Paulo Transporte (SPTrans), que administra os ônibus na capital, terá de pagar uma remuneração mensal ao poder concedente e não deverá opinar sobre o valor das passagens, diz o técnico. "É o poder contratante - governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo - que definirá os valores das tarifas. A empresa que ganhar a concorrência apenas prestará os serviços de arrecadação", afirma Menezes. O usuário terá um bilhete inteligente carregado com um certo valor de crédito que será descontado nas viagens a serem feitas no sistema integrado.Estudo realizado para o Metrô, que administra a licitação, mostra que a empresa ou consórcio que vencer a concorrência terá lucro líquido de R$ 185 milhões por ano, já descontados cerca de R$ 18 milhões anuais que deverão ser remetidos ao governo e à Prefeitura. O dinheiro entrará nos cofres da empresa a partir do terceiro ano de concessão. Segundo Menezes, os R$ 18 milhões são referentes ao direito de explorar os no vos nicho de mercado que aparecerão com o BIM, como cartões, porta-moedas e outras tecnologias previstas para dar suporte ao bilhete. O vencedor da licitação do BIM também terá de pagar pelo menos R$ 200 milhões à Prefeitura pelos investimentos já realizados na implementação do bilhete único eletrônico na capital, além de investir R$ 310 milhões para instalar o novo sistema. Entre as tecnologias a serem adotadas no BIM está o cartão inteligente, cartões de crédito e de débito e até equipamentos de validação de bilhetes nas catracas com créditos armazenados em celulares, por exemplo. O sistema de operação será totalmente terceirizado, como antecipou ontem o Estado. Metrô, CPTM e SPTrans arrecadam hoje R$ 4,6 bilhões por ano. São mais de 4,1 bilhões de viagens anuais. Do total arrecadado sairá, como hoje, a verba para manter e renovar as frotas, além de pagamento dos serviços das operadoras do transporte público. A licitação do BIM deverá ter início em julho, com assinatura do contrato no final do ano. O vencedor implementará o bilhete inteligente em 24 meses.

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