Polêmica, mostra expõe obras e doença de Aleijadinho

Uma exposição das obras do mestre do barroco brasileiro Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, tem causado polêmica em Sorocaba (SP). A mostra inclui uma representação do artista no auge da doença que o teria deformado, numa espécie de cela, de joelhos, usando túnica preta, com as mãos protegidas por ataduras e um chapéu. No rosto da escultura em tamanho natural são visíveis as deformidades.Os visitantes são convidados a "espiar" o artista pela fechadura de uma porta do século 18. "É chocante", disse a estudante Regina Casali. A professora Maria Aparecida Costa considerou "um exagero" expor as mazelas do escultor mineiro. "Bastam as obras para mostrar que foi genial." A mostra, que vai até 3 de abril, apresenta 11 esculturas de Aleijadinho e 13 de outros artistas do período, além de forros de igrejas mineiras com pinturas do século 19. O curador José Marcelo de Souza Lima diz que a exposição não pretende chocar. "É uma defesa da autenticidade e da genialidade de Antonio Francisco Lisboa." Segundo ele, a mostra quer comprovar a existência de Aleijadinho e da sua deficiência física superada pela arte, após alguns autores lançaram dúvidas. Lima referiu-se ao livro O Aleijadinho e o Aeroplano, de Guiomar de Grammont, de 2008, que lança dúvidas sobre a autoria de toda a obra atribuída ao escultor e sobre suas limitações físicas. As obras da exposição, de um colecionador anônimo, foram reconhecidas como autênticas há pouco tempo. A escultura de São Francisco de Assis mirando uma caveira, de 18 centímetros, teve a autenticidade reconhecida na semana passada, já durante a mostra.O curador expôs documentos que comprovariam as deformações. Uma certidão de 1806 descoberta em 2005 atesta que Lisboa era conhecido oficialmente como Aleijadinho. A exposição, no Largo de São Bento, 144, abre de terça a domingo, das 12 às 20h. Custa R$ 3.

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

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