Polícia acha difícil identificar atirador sem vídeo da Estácio

O chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, disse nesta terça-feira que, se as gravações feitas pelo circuito de TV da Universidade Estácio de Sá no momento em que a estudante Luciana Gonçalves de Novaes foi baleada não forem recuperadas, será difícil identificar o autor do disparo.Por causa do atraso na entrega das gravações à polícia, o inquérito não deverá ser concluído em 30 dias. ?Se as fitas não mostrarem o momento exato, fica muito complicado. Dez mil pessoas circulam por ali, e as pessoas não colaboram, não prestam depoimento?, afirmou Álvaro Lins.A perícia continua analisando os 16.500 arquivos que correspondem a 23 horas de gravação das 15 câmeras que tiveram as imagens adulteradas. A polícia ainda não sabe quem cometeu a fraude. Lins disse que a demora na apreensão dos CDs e na constatação da adulteração atrasou muito as investigações.O fato de os programas da polícia não conseguirem recuperar os horários em que as cenas foram gravadas é outro fator complicador, segundo ele, porque faz com que o trabalho leve ainda mais tempo.VistoriaNesta terça de manhã, técnicos da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), acompanhados de policiais da Delegaria de Repressão a Entorpecentes (DRE), estiveram na Estácio para fazer um levantamento topográfico de parte da área dos fundos do câmpus, perto do Morro do Turano. O objetivo era tentar definir onde estava o atirador.Álvaro Lins disse, no entanto, que só será possível saber com exatidão se o tiro partiu do pátio da Estácio ou da favela depois que Luciana for submetida a um exame que vai dizer como a bala entrou pela mandíbula e se alojou na coluna. Isso só deverá ser feito quando ela melhorar.Estado de LucianaO Hospital Pró-Cardíaco informou que o quadro da jovem não teve alteração nesta terça. Ela já está livre de sedativos, mas respira por aparelhos. O chefe de Polícia disse que a suspeita que recai sobre o soldado William Andrade Lucas, apontado como possível atirador, poderá não se confirmar, já que pode ter havido troca do cano da arma dele ? uma pistola calibre 40, do mesmo tipo que feriu Luciana ? para dificultar sua identificação pela polícia.O delegado considera difícil descobrir se o cano foi trocado ou não. A pistola dele foi entregue à tarde para perícia. O exame de confronto de balística deverá ficar pronto nos próximos dias. O PM prestou depoimento nesta terça. Ele começou a ser ouvido por volta das 17 horas e continuava a prestar depoimento até as 18h30.O conteúdo não havia sido divulgado até esse horário. A polícia intimou mais quatro pessoas a depor: três funcionários da Estácio e o médico que prestou os primeiro socorros a Marcelo Araújo Matos, que trabalha na universidade e também foi ferido. Os policiais querem saber se ele foi atingido apenas por estilhaços ou se também foi baleado ? o que significaria que houve mais de um disparo.O traficante Ocimar Nunes Robert, o Barbosinha, acusado de comandar o tráfico no Morro do Turano e ameaçar a Estácio, ainda não havia sido transferido para o Rio até o início da noite desta terça. O criminoso está preso em Rondônia, onde também há pedido de prisão contra ele. A transferência, que pode ser feita nesta quarta, depende de um acordo entre a Justiça do Rio e a de Rondônia.

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