Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Polícia acha mala de dinheiro e pedras preciosas em propriedades ligadas a João de Deus

Entre os locais está a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, onde ele fazia os atendimentos espirituais

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2018 | 16h51

BRASÍLIA - A Polícia Civil de Goiás apreendeu nesta sexta-feira, 21, pedras preciosas, medicamentos e uma mala com dinheiro em três endereços ligados a João Teixeira de Faria, o médium João de Deus. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira, 21. Entre os locais está a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, onde ele fazia os atendimentos espirituais.

O delegado-geral, André Fernandes, informou que as pedras de cor esverdeada, supostamente esmeraldas, serão periciadas. A questão da possível lavagem de dinheiro e das pedras preciosas serão tratadas separadamente dos casos de abuso sexual, assim como a acusação por porte ilegal de armas - outra operação realizada há dois dias encontrou mais de R$ 400 mil e seis armas em residência de João de Deus. De acordo com o delegado, a cada passo a polícia se depara com "novas situações delituosas e isso exige maior capacitação da equipe". 

Segundo o delegado, dos 16 procedimentos recebidos na Polícia Civil de Goiás por abuso sexual, oito estão em andamento e um foi concluído e enviado ontem ao Judiciário. O inquérito concluído deu sustentação para o indiciamento e o pedido de prisão de João de Deus. As denúncias foram feitas por mulheres de 20 a 40 anos. "Precisamos incentivar as vítimas a procurarem a polícia, recebemos denúncia anônima, via 197, mas sem identificar e, assim, não conseguimos identificar e dar continuidade à investigação", afirmou o delegado.

A promotora Gabriella de Queiroz Clementino informou que a Polícia Científica acompanhou os novos mandados de busca e produziu laudos complementares. "A Vigilância Sanitária também acompanhou porque já tinha essa demanda porque havia comércio de medicamentos no local. Eles apreenderam alguns instrumentos cirúrgicos, mas ainda não temos um laudo”, disse. 

A defesa de João de Deus nega as acusações e já entrou com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a liberdade do médium. A ação foi encaminhada para análise do presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, responsável pelos processos que chegam durante o plantão judiciário.

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