Corpo de Bombeiros de MG/AFP
Corpo de Bombeiros de MG/AFP

Polícia acredita que falha técnica pode ter contribuído para queda de ônibus em Minas

Investigadores tomaram depoimento de 16 pessoas, entre testemunhas e sobreviventes. Motorista fala em falha nos freios e polícia cita falha na tração em trecho de subida

Leonardo Augusto, especial para o Estadão

07 de dezembro de 2020 | 23h06

BELO HORIZONTE - A polícia de Minas Gerais trabalha com a possibilidade de o ônibus que caiu de um viaduto no interior de Estado ter tido problemas técnicos que podem ter contribuído para o acidente. Nesta segunda-feira, 7, o motorista do veículo disse em depoimento que houve uma falha nos freios. Com base em outros depoimentos, os investigadores dizem que é possível que o ônibus tenha enfrentado uma falha na tração em trecho de subida, o que o levou a recuar e cair da ponte. 

O motorista dos ônibus afirmou nesta segunda-feira que, após o acidente, fugiu do local por medo de represálias. O acidente ocorreu num viaduto  de João Monlevade e deixou 19 pessoas mortas; dez pessoas seguem hospitalizadas. Ele teria se assustado ao ver pessoas parando no local e perguntando pelo condutor do veículo. "Resolveu fugir", disse o delegado do caso, Paulo Tavares. O motorista foi ouvido e liberado em seguida. 

Conforme a Polícia Civil, o condutor se apresentou com advogado e forneceu informações sobre o acidente. "Ele colaborou da melhor forma possível com a investigação", disse o delegado. A autoridade policial disse ainda não haver, no momento, pedido de prisão do motorista, que prestará novos esclarecimentos à corporação. 

Até agora, 16 pessoas prestaram depoimento no inquérito aberto para investigar as causas do acidente. A polícia afirma que, com base em testemunhas e passageiros que sobreviveram, é possível que o ônibus tenha apresentado falha na tração em trecho de subida, recuando e caindo da ponte. Os depoimentos aconteceram no município de João Monlevade.

O total de passageiros no ônibus subiu para 48, ante 45, conforme atualização repassada pela Defesa Civil de Minas Gerais. O número maior foi constatado após verificação de que três crianças viajavam no colo de parentes. A Defesa Civil não dá informações sobre as idades das vítimas e a relação de parentesco.

Entre os passageiros, 19 morreram, 10 estão hospitalizados em João Monlevade e Belo Horizonte e 15 tiveram alta. Destes, três que pularam antes que o veículo caísse não precisaram de atendimento médico. Um segundo condutor está entre os mortos.

Dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) partiram no início da tarde desta segunda-feira, 7, do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, para Paulo Afonso, na Bahia. Um com corpos e outro com parentes e vítimas que já tiveram alta hospitalar. 

O ônibus saiu de Mata Grande (AL) e seguia para São Paulo quando ocorreu o acidente. O pouso acontecerá em Paulo Afonso, que tem o aeroporto mais próximo do município em condições de aterrissagem dos aviões da FAB.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.