Polícia acredita que professor integre quadrilha de pedófilos

Professor aposentado foi preso em Manaus; atuação dele estava sendo investigada com a ajuda da Interpol

Liege Albuquerque, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2008 | 16h00

Uma rede de pedofilia internacional com ramificações no Brasil tem pelo menos cinco fornecedores de fotos eróticas de crianças e adolescentes no Amazonas sendo investigados com ajuda da Interpol. A informação de uma fonte da polícia civil confirma que o professor aposentado José Evandro de Mesquita Graça, de 65 anos, que teve sua prisão preventiva decretada na quarta-feira, 25, por acusação de pedofilia, seria um desses braços do crime contra a criança e adolescente na capital. CPI da Pedofilia pode entrar com ação penal contra o Google De acordo com a delegada de Proteção à Criança e ao Adolescente, Linda Gláucia, pelo menos 10 crianças de 5 a 12 anos já foram identificadas por fotos encontradas na internet e na casa do professor. Segundo ela, está sendo investigado ainda se pais ou parentes dessas crianças poderiam ser coniventes com o crime. A reportagem tentou entrar em contato com o escritório de advocacia que defende o professor, mas não obteve resposta. Graça estava preso desde o dia 16 deste mês no 1º Distrito Policial, na zona leste de Manaus, depois de uma investigação por meio da internet ter chegado a seu computador. Na casa do professor, aposentado há dez anos pela faculdade de agronomia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), foram encontrados brinquedos e fotos de crianças em relacionamentos sexuais com Graça ou em fotos eróticas. Ele teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz especializado em casos de infância e de idosos, Luiz Alberto Albuquerque, depois de serem ouvidas três de suas supostas vítimas. Graça foi encaminhado nesta quinta-feira à cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa. Em depoimento à delegada, Graça disse ter visitado 53 países, mas não há registros de viagens internacionais em seu passaporte. Além do passaporte, dois computadores e mais de 60 fotos, foi apreendido na casa do professor um diário onde havia anotações em inglês com detalhes do momento em que as fotografias foram tiradas. Graça deve aguardar o depoimento na penitenciária. Pelos crimes dos quais está sendo acusado, previstos no artigo 214 do Código Penal Brasileiro e 214 e 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o professor está sujeito a uma pena que pode chegar a 30 anos.

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