Polícia acusa milícia de matar 7

Liga teria matado moradores de favela para jogar a culpa no tráfico

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

21 Agosto 2008 | 00h00

Sete pessoas foram assassinadas entre a noite de terça e a madrugada de ontem na Favela do Barbante, em Campo Grande, zona oeste do Rio. Segundo o titular da 35ª DP, Marcus Neves, todos são moradores da favela, não têm ligação com criminosos e foram mortos por milicianos da Liga da Justiça, grupo que seria comandado pelo deputado estadual Natalino Guimarães e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães, que estão presos. Segundo Neves, o filho do vereador, o ex-PM foragido Luciano Guimarães, liderou o ataque. "Desde a prisão de Natalino, no mês passado, as favelas de Campo Grande que são dominadas pelo grupo de milicianos estão enfraquecendo. A Carobinha foi tomada por traficantes da ADA (Amigos dos Amigos). Na semana passada, traficantes do Comando Vermelho tentaram tomar a Favela do Barbante. Por isso, os milicianos atacaram, querendo culpar traficantes." Neves informou que, dos 17 que teriam entrado na favela para os "assassinatos aleatórios", 10 estão identificados e são da Liga da Justiça. Parte foi denunciada pelo Ministério Público por formação de quadrilha e homicídios. A identificação foi possível porque moradores do Barbante anotaram as placas dos carros com os quais eles entraram na favela. VÍTIMA Até a noite de ontem, a polícia só havia divulgado o nome do comerciante Ariovaldo da Silva Nunes, de 37 anos, entre os mortos. "O objetivo desses milicianos, mais organizados que os traficantes, é também enganar a comunidade que atacaram. Querem mostrar que a população vai sofrer muito mais se os traficantes entrarem ali." O Regimento de Polícia Montada da PM ocupou a favela para dar proteção aos moradores. Ninguém havia sido preso até as 20h30 de ontem. No dia 6, o plenário da Assembléia do Rio (Alerj) decidiu manter preso o deputado Natalino. Dos 48 parlamentares presentes, apenas 5 votaram pela libertação de Natalino.

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