Polícia acusa mulher de matar campeão de boxe

Mãe de um bebê de dez meses, a brasileira Amanda Rodrigues nega o crime; ela e Arturo Gatti se conheceram há três anos e viviam no Canadá

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

13 Julho 2009 | 00h00

A mineira Amanda Carine Barbosa Rodrigues, de 23 anos, foi autuada e presa em flagrante na manhã de ontem por homicídio doloso qualificado (motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima). É acusada de ter matado o marido, o ex-campeão mundial de boxe, Arturo Gatti, de 37 anos, em um flat em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco. Nascido na Itália e naturalizado canadense, Gatti venceu na categoria superleve em 1994 e, no ano seguinte, foi campeão mundial superpena. Aposentado em 2007, agenciava pugilistas.O delegado Josedite Ferreira diz não ter dúvidas da culpa de Amanda, que pode pegar mais de 20 anos de prisão. Para ele, Amanda enforcou o marido com a alça da bolsa, num momento em que Gatti estava dormindo embriagado. Antes, teria feito um corte de cerca de cinco centímetros na cabeça do pugilista com uma faca.Ela nega o crime e, em seu depoimento, primeiro sugeriu suicídio e depois que uma outra pessoa pode ter entrado no dúplex. "Mas o fato é que no flat estavam unicamente Amanda, a vítima e o filho do casal, de dez meses", afirmou Ferreira, para quem o crime ocorreu entre as 2h30 e as 9 horas do sábado, horário em que ela pediu ajuda e a gerência do resort chamou uma ambulância e a polícia. O casal desembarcou no Brasil no dia 2 para formatura de uma irmã de Amanda, em Minas Gerais. Chegaram a Porto de Galinhas no dia 9 para "uma segunda lua de mel", conforme o delegado. Os dois haviam saído com o filho na noite da sexta-feira. Tomaram duas garrafas de vinho no jantar e depois uma cerveja no centro de Porto de Galinhas. Caminhavam pela rua quando se desentenderam, trocaram agressões verbais e ele a empurrou na calçada. Ela sofreu leves escoriações no braço esquerdo e no queixo. Ele pegou um táxi com o filho e ela tentou passar a noite num hotel. Sem dinheiro, não conseguiu e foi colocada num táxi com destino ao flat. Ao chegar, ficou esperando o marido voltar. Ele havia deixado o filho dormindo sozinho e retornado ao centro para buscá-la. Segundo o delegado, mais seis cervejas foram consumidas no flat. Amanda disse então ter dormido com o filho no segundo andar - Gatti ficou na sala - e descido duas vezes: às 6 horas, para fazer a mamadeira da criança, e às 9, quando teria percebido o marido inerte e frio. Foi quando gritou por ajuda. Segundo seu depoimento, o casal se conheceu nos Estados Unidos há três anos e se casou em 2007. Há um mês os dois moravam em Montreal, no Canadá, cidade onde vive a sogra. O relacionamento era conturbado, marcado por ciúmes . Quando se desentendiam, ele "a empurrava". Ela disse que Gatti se livrou de um vício em cocaína após tratamento nos Estados Unidos. Aparentando tranquilidade, chegou a implorar por "piedade" aos policiais. "Tenho um filho de dez meses, não me deixem na cadeia." O bebê foi entregue à irmã dela, Flávia Rodrigues, de 22 anos, que chegou ontem de Minas com o pai. Aos dois, Amanda jurou inocência.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.