Marcos Arcoverde/AE
Marcos Arcoverde/AE

Polícia afirma que homem atropelado por Thor estava fora do acostamento

Caso a perícia indique que Thor trafegava dentro do limite de velocidade, o inquérito será arquivado

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

21 Março 2012 | 21h04

RIO DE JANEIRO - O delegado Mário Arruda, que investiga o acidente em que Thor Batista, de 20 anos, filho do empresário Eike Batista, atropelou e matou um ciclista na rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no último sábado, descartou a possibilidade de o acidente ter ocorrido no acostamento, como alega a família da vítima. "Pelo que apurei até agora, a vítima estava na pista", afirmou o delegado.

Segundo Arruda, Thor só será indiciado por homicídio doloso (sem intenção) pela morte de Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, se ficar confirmado que ele trafegava acima do limite permitido de velocidade, de 110km/h. O filho de Eike nega que estivesse em velocidade não permitida.

O laudo que indicará a velocidade do Mercedes-Benz SLR McLaren dirigido por Thor no momento do acidente será concluído em 20 dias. Caso a perícia indique o veículo estava dentro do limite, o inquérito será arquivado.

Nesta quarta-feira, 21, Thor prestou depoimento a Arruda na 61ª DP (Xerém) durante 1 hora e 20 minutos. O depoimento estava marcado para as 15 horas, mas Thor chegou à delegacia às 9 horas, acompanhado pelo amigo que estava no carro no momento do acidente, dois advogados e cinco seguranças. O grupo chegou em duas peruas Tucson.

Vinicius Racca, que estava no banco do carona, foi o primeiro a depor e não falou com a imprensa. Por volta das 14h20, Thor saiu da delegacia e, sem responder perguntas, fez um pronunciamento à imprensa. "Lamento profundamente a perda do Wanderson, eu respeito a dor da família, a perda de um ente querido é complicado. Mesmo convicto da minha inocência, confirmo que vou prestar todo o auxílio que for necessário à família e no que for mais necessário", afirmou.

Durante o depoimento, Thor foi acompanhado pelo advogado Celso Vilardi. Segundo ele, o acidente foi "inevitável". O advogado também falou que não há relação entre as multas recebidas por Thor e o acidente. "Ele não foi notificado e a habilitação era válida."

Segundo o Departamento de Trânsito do Estado do Rio (Detran-RJ), o filho de Eike recebeu 11 multas desde dezembro de 2009, quando recebeu sua primeira carteira de habilitação. Cinco delas foram aplicadas durante o estágio probatório de 12 meses, período em que Thor deveria perder a carteira se cometesse qualquer infração. Mas as multas só foram processadas depois que ele havia adquirido a carteira definitiva. Por isso, não causaram a suspensão da habilitação.

As multas aplicadas depois e não passíveis de recurso somam 19 pontos. Um motorista tem a carteira cassada quando atinge 20 pontos. A defesa de Thor alega que as multas podem não ser do jovem, pois ele teria trocado de carro e em muitas ocasiões sai com motorista e segurança.

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