Polícia afirma ter 'razoável' conjunto de provas sobre desaparecimento de Eliza

Delegado confirmou que o sangue encontrado em caminhonete é humano; Bruno e seu braço-direito, Macarrão, deverão ser ouvidos até o fim da próxima semana

Eduardo Kattah - O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2010 | 08h28

BELO HORIZONTE - A Polícia Civil mineira considera que já reuniu um "razoável" conjunto de provas na investigação sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, principal suspeito no inquérito aberto pela Delegacia de Homicídios de Contagem (MG). Um dos próximos passos da investigação será a análise dos computadores pessoais e as últimas mensagens eletrônicas trocadas entre a jovem e familiares.

 

"O conjunto comprobatório está razoavelmente bom", afirmou o delegado Edson Moreira, que chefia as investigações. Ele reiterou que as provas materiais ainda estão sendo produzidas e só pretende ouvir Bruno e seu braço-direito, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, quando tiver mais "subsídios" - o que dever ocorrer até o fim da próxima semana. Bruno nega envolvimento com o sumiço de Eliza.

 

Moreira confirmou que o sangue encontrado na caminhonete Range Rover do goleiro é humano. Até o início da semana que vem deverá ser realizado o exame de DNA que irá apontar se o sangue era de Eliza. O delegado confirmou também que um par de sandálias pretas e óculos escuros que estavam no veículo foram reconhecidos como pertencentes à jovem por uma testemunha. Peças de roupas apreendidas também já teriam sido reconhecidas como de Eliza, segundo a polícia.

 

Uma Blazer branca, de propriedade de Cleiton da Silva Gonçalves, amigo de Bruno - que dirigia a Range Rover apreendida no último dia 08 -, foi levada nesta segunda-feira para ser periciada no Instituto de Criminalística da Polícia Civil. Outros veículos do goleiro e de investigados também serão analisados.

 

Oficialmente, a polícia informa que as evidências de que a jovem esteve no sítio de Bruno, em Esmeraldas, foram colhidas nas perícias e com base nos depoimentos. Ontem, cinco pessoas foram ouvidas no Departamento de Investigações (DI). Outras oito testemunhas foram interrogadas durante o fim de semana. Até o momento, a polícia já colheu cerca de 30 depoimentos.

 

Buscas

 

Policiais e equipes do Corpo de Bombeiros iniciaram nesta segunda-feira as buscas pelo corpo de Eliza na Lagoa Suja, no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Os policiais vasculharam o local após uma denúncia anônima, que dizia que o corpo da jovem teria sido jogado no local amarrado a pedras e estaria no fundo da lagoa. Até o início da noite, porém, nada havia sido encontrado.

 

Os Bombeiros consideravam remota a possibilidade da presença de um corpo no local. Os militares, contudo, chegaram a cogitar a hipótese de se esvaziar o lago artificial. Para o advogado Jader Marques, que representa Luís Carlos Samudio, pai de Eliza, a localização do corpo passou a ser o "ponto fundamental" e "essencial" da investigação. Marques, que esteve pela manhã no DI para se inteirar do inquérito, deixou o local afirmando que a apuração avança cada vez mais na tese de homicídio sem a localização do cadáver.

 

"Porque outros elementos de prova dão a certeza da materialidade, a certeza da ocorrência da morte da vítima. E isso basta. Havendo a certeza, torna-se dispensável (a localização do corpo), torna-se possível o encaminhamento da ação penal sem a localização do cadáver", destacou.

 

Provas

 

Segundo o advogado, as provas levantadas até o momento "são muitas", "contundentes" e "importantes". "As investigações indicam que há uma materialidade indireta", reforçou Moreira. Marques pretende nos próximos dias entregar à polícia mineira pertences de Eliza que estão em São Paulo - onde morava - e computadores que poderão revelar novas pistas ou evidências. "São os últimos diálogos mantidos entre a Eliza e seus familiares. Algumas outras (possíveis) provas estão guardadas ou na residência do seu Luís Carlos, de familiares, ou na residência em que a Eliza estava antes de ir para o Rio", disse.

 

O pai da ex-amante de Bruno esteve ontem na capital mineira, onde participou de um programa da TV Alterosa, uma emissora local. Ele reafirmou que considera o goleiro responsável pelo desaparecimento da filha. E observou que no último contato que manteve com Eliza - há cerca de 35, 40 dias -, ela disse que estava "a um passo" de resolver com o jogador o reconhecimento da paternidade e o pagamento de pensão para a filha.

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