Polícia ainda busca terrorismo na fronteira Brasil-Paraguai

Depois de seis meses de buscas, a Polícia Federal (PF) não conseguiu apontar sequer um indício da existência das supostas células de terroristas árabes que atuariam na fronteira Brasil-Paraguai, garantiu nesta segunda-feira o delegado federal responsável pela região de Foz do Iguaçu (PR), Joaquim Mesquita. Mas, segundo ele, as investigações continuam e devem se "tornar permanentes".Depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, Mesquita diz que foram abertas inúmeras investigações em busca de indícios de células terroristas na região. Meia dúzia de centrais telefônicas clandestinas foram descobertas e exaustivamente investigadas no Paraná. "Mas nada, absolutamente nada do que nos chegou ao conhecimento permite estabelecer qualquer paralelo entre as centrais clandestinas e supostos grupos terroristas", disse o delegado.Mesquita diz que os grupos responsáveis pelas centrais telefônicas realmente são organizados e com ramificações internacionais, mas sem o menor objetivo político. "Elesse organizaram para ganhar dinheiro cometendo fraudes contra as companhias telefônicas", disse ele.As investigações feitas depois de 11 de setembro levaram à identificação de 42 empresários de origem árabe, que teriam enviado US$ 50 milhões do Paraguai para o exterior de forma ilegal. Ainda em Ciudad del Este, 21 árabes com documentos falsos foram presos. Mas foram em vão todas as tentativas de ligar estes casos com o terrorismo.Para o delegado, o esvaziamento da comunidade árabe na região da fronteira, verificado nos últimos três meses, não guarda "a menor relação" com a questão do terrorismointernacional. "Com a alta do dólar, a cidade paraguaia de Ciudad del Este mergulhou numa crise muito grande. As lojas fechadas somam as centenas, e os comerciantesobviamente têm deixado a região em busca de outras oportunidades", avaliou ele.

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