Polícia ainda não tem pistas do assassino de cinegrafista

Walter Lessa de Oliveira foi morto no sábado em um ponto de ônibus; hipóteses são vingança e assalto

06 de janeiro de 2008 | 20h02

A Polícia Civil de Alagoas ainda não tem pistas do paradeiro do assassino do cinegrafista Walter Lessa de Oliveira, 52 anos, executado com quatro tiros de pistola, por volta das 14 horas deste sábado, 5, em ponto de ônibus da Via Expressa, na periferia de Maceió. Segundo a polícia, Walter Lessa foi assassinado por um traficante conhecido como "Aranha", porque havia feito imagens dele e distribuído para emissoras de TV do Estado. O crime chocou os profissionais de comunicação do Estado, pela forma covarde e violenta como foi praticado. Walter Lessa trabalhava como cinegrafista da TV Assembléia e do Centro de Ensino Superior de Maceió (Cesmac), mas já tinha passado por várias emissoras de TV de Alagoas. Segundo os amigos e parentes, ele era uma pessoa tranqüila, não tinha inimigos e não costumava se meter em confusões. De acordo com a delegada Maria Aparecida, informações preliminares apontam o traficante conhecido como "Aranha" como principal suspeito do crime. "Pelo menos foi essa a informação que recebemos do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom)", afirmou a delegada. No momento do crime, Valter Lessa estava num ponto de ônibus quando o traficante em um carro se aproximou e efetuou os disparos.  No entanto, a polícia trabalha também com a possibilidade de Walter Lessa ter sido morto ao reagir a um assalto. Segundo testemunhas, um homem barbudo, vestindo camisa de bloco de carnaval, teria discutido com a vítima no ponto de ônibus e efetuado os disparos. O cinegrafista tinha ido buscar o aluguel de uma casa dele no Conjunto Graciliano Ramos e estava voltando para sua residência, no Farol. "Ele estava só de bermudas e camiseta quando foi assassinado, no ponto de ônibus. Como não foi encontrado dinheiro no bolso dele, nós não sabemos se ele recebeu não recebeu o aluguel ou se roubaram o dinheiro dele. Por isso, nós trabalhamos também com a possibilidade de latrocínio ou vingança", explicou Aparecida, acrescentando que o crime será investigado pela Delegacia do 10º Distrito Policial. Repercussão No Instituto Médico Legal, parentes do cinegrafista estavam indignados com o crime, mas não sabiam os motivos do homicídio. Manoel Bezerra Gomes, um dos enteados da vítima, disse que o padrasto era uma pessoa tranqüila, sem aparentes inimizades que possam levar à elucidação do crime. "Walter vivia com minha mãe há mais de 20 anos. Era uma pessoa tranqüila", afirmou Manoel. O jornalista Jorge Moraes, da assessoria de comunicação do Cesmac, também estave no IML e foi enfático ao afirmar que Walter era uma pessoa de bem. Indagado sobre informações de algum tipo de ameaça que o cinegrafista pudesse ter sofrido nos últimos dias, Moraes disse desconhecer, assim como os enteados também deixaram claro que também não tinham informações de ameaças. Os parentes de Walter Lessa também descartaram qualquer tipo de envolvimento do cinegrafista com a Operação Taturana, da Polícia Federal, que desbaratou uma quadrilha envolvida no desvio de R$ 200 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas. A operação foi deflagrada no início de dezembro e mais de 50 pessoas foram indiciadas, acusadas de envolvimento no golpe.  Após a Operação Taturana, Walter Lessa é o segundo funcionário da Assembléia assassinado, em menos de uma semana. O primeiro a ser morto foi Abelardo Fernandes da Rocha, assassinado a tiros na quinta-feira pela manhã no bairro do Jacintinho. O crime está sendo investigado pela Polícia Federal, já que a vítima atuava também como despachante no Detran a serviço de alguns deputados.  Pelo menos dois veículos apreendidos pela PF, durante a Operação Taturana, em poder dos deputados estaduais Nelito Gomes de Barros (PTB) e Cícero Amélio (PMN), estavam com placas frias. Os veículos foram periciados tendo como despachante a vítima fatal, por isso a PF acredita que Abelardo tenha sido morto por queima de arquivo, já estava intimado para prestar depoimento. Durante o enterro de Walter Lessa, na tarde deste domingo, 6, no Cemitério Parque das Flores, em Maceió, parentes e amigos do cinegrafista disseram que não acreditavam no envolvimento dele na Operação Taturana. Para eles, o caso do despachante assassinado, que era funcionário comissionado da Assembléia, é totalmente diferente. A versão mais comentada para a morte do cinegrafista era de latrocínio.

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