Polícia ainda procura armas do assassinato dos Richthofen

A polícia continua procurando os canos de metal forrados de madeira que teriam sido utilizados para matar o engenheiro Manfred Albert von Richthofen, de 49 anos, e sua mulher a médica psiquiatra Marísia, de 50. Segundo Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 21 anos, a namorada Suzane Louise, filha do casal que planejou a morte dos pais, e o irmão dele, Christian, de 26, as armas foram jogadas próximo ao Parque do Ibirapuera.Hoje, Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva, pai de Daniel e Christian, apareceu na missa de sétimo dia do casal, na Igreja Luterana, da Granja Julieta, zona sul, e provocou a revolta dos familiares e amigos dos Von Richthofen, deixando o clima tenso. ?Vim dar um abraço em Andreas. Ele vivia lá em casa e eu me apeguei a ele, que está sofrendo tanto quanto eu?, disse ao chegar. Silva não quis falar dos filhos, pedindo aos jornalistas que ?respeitassem a dor do pai.? A mãe de Marísia, Lourdes Magnanani, o irmão, Miguel Abdalla, e amigos de Manfred mandaram rezar a missa, em alemão e português.Suzane, que está detida na carceragem do 89.º Distrito Policial, do Portal do Morumbi, desde a sexta-feira, quer ver o irmão Andreas, de 15, para pedir perdão, e mandou um recado para o tio, o médico Miguel Abdalla, pedindo para ele contratar um advogado. Rigor ? Duas colegas da Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde Suzana cursava o 1.º ano de Direito, estiveram no sábado e ontem no 89.º DP tentando visitá-la e foram impedidas. Uma das jovens, que pediu para não ser identificada, conversava muito com Suzane. De acordo com ela, a amiga reclamava que os pais a tratavam com ?muito rigor.? Suzane explicou para a amiga que sua vida mudou depois que deixou de estudar no Colégio Porto Seguro. ?Contou que descobriu um mundo que jamais pensou que existisse?, disse a colega. Suzane passou a freqüentar o Parque do Ibirapuera, onde conheceu Daniel. Ao lado dele, começou a usar drogas. Suzane, disse à amiga que estava ?revoltada? com o pai que se recusara a fazer a sua festa de aniversário. ?O pai repetiu que não haveria comemoração por causa da conduta dela. Suzane telefonou para o padrinho pedindo para convencer o pai?, revelou a amiga. O padrinho não conseguiu fazer o engenheiro mudar de idéia e acabou levando Suzane para jantar.Após o assassinato dos pais, Suzane reuniu alguns amigos para festejar os seus 19 anos, o que reforçou ainda mais a suspeita da polícia do envolvimento dela no crime. Suzane e Andreas, segundo a amiga, não recebiam colegas em casa. ?A mãe interrogava os visitantes, perguntando quem eram, de onde vinham, quem eram seus pais. E ninguém voltava.?Manfred e Marísia, disse a colega da PUC, obrigavam os filhos a acompanhá-los nos fins de semana para o sítio da família em São Roque. Suzane era obrigada a cuidar do jardim e da horta. Andreas mexia com marcenaria, hábitos que o pai trouxera da Alemanha e obrigava os filhos a seguir. No sábado, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) informou ter encontrado as jóias roubadas pelos irmãos Daniel e Christian da casa dos Von Richthofen. Estavam no sítio da família de Carol, namorada de Christian, no condomínio Porta do Sol, em Mairinque, no km 63 da Castelo Branco. Christian disse aos policiais onde deixara as jóias. Pretendia vendê-las e dividir o dinheiro com o irmão. Segundo o DHPP, Carol e a família desconheciam que as jóias estavam no sítio. Carol disse para amigos que quer esquecer o namorado. A morte do casal deverá ser reconstituída pelo DHPP esta semana. Suzane, Daniel e Christian vão mostrar como chegaram à casa e o que fizeram até a fuga. Suzane disse à polícia que, após abrir a porta e acender as luzes, foi para a garagem, se trancou no carro e ligou o rádio para não ?ouvir os gritos dos pais,? atacados por Daniel e Christian. Golpes O laudo pericial que está sendo preparado pelo Instituto de Criminalística (IC) vai confirmar a confissão dos três sobre as armas usadas para matar o casal. Com uma câmera digital, os peritos analisaram as marcas na cama dos Von Richthofen. O laudo deverá trazer a conclusão de que Manfred e Marísia foram atacados com armas de metal pesadas e compridas.Um dos canos deixou marca de tinta nos corpos. Marísia e o marido morreram em conseqüência de fraturas de crânio. A mulher sofreu ainda fraturas nos dedos em decorrência dos golpes, ao tentar defender a cabeça e o rosto. Daniel e Christian confirmaram a tentativa da médica psiquiatra.Acompanhe toda a história nos links abaixo. » Quinta, 31/10: Casal é assassinado no Campo Belo » Para vizinhos, casal era "simpático e reservado" » Sexta, 1/11: Policiais investigam namorado e filha do casal » Segunda, 4/11: Filha do casal depõe pela segunda vez » Terça, 5/11: Polícia volta à mansão do casal assassinado » Quarta, 6/11: Para Polícia, casal foi assassinado por vingança » Quinta, 7/11: Preso o irmão do namorado da filha » Sexta, 8/11: Pedida prisão de suspeito de matar o casal » A Polícia conclui: Suzane, a filha, tramou o assassinato » Assassinos do casal têm prisão provisória decretada » Polícia encontra material furtado da mansão do casal » Suzane era meiga e quieta, dizem colegas » Richthofen era homem-chave do Rodoanel » Matam os pais e não mostram remorso » Especialistas acreditam em "distúrbio mental" » Casal queria mandar a filha para a Alemanha » Sábado, 9/11: "Cheguei a pensar em desistir, mas já não tinha volta", disse Suzane » Pena de assassinos do casal pode chegar a 50 anos » Domingo, 10/11: Amigo diz que Andreas perdoou a irmã

Agencia Estado,

10 de novembro de 2002 | 23h08

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