Polícia apreende agendas com nome de Beira-Mar

Dois foragidos da Justiça e uma mulher foram presos hoje, em São Paulo, com maconha, documentos falsos, sete telefones celulares e três agendas telefônicas com dois números que chamaram a atenção dos policiais. O primeiro estava ao lado do nome de uma pessoa: F. Beira-Mar, que seria o traficante de drogas Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. O outro era o celular de um detento do Presídio Bangu 4, no Rio. A polícia vai investigar se os acusados mantinham uma central telefônica para o crime organizado. A quebra do sigilo telefônico dos números vai ser pedida pelo 33.º Distrito Policial. A história desse caso policial começou de modo banal. Um carro do 4.º Batalhão da Polícia Militar estava patrulhando a região de Pirituba, na zona oeste, à 1 hora, quando os policiais desconfiaram dos ocupantes de um Gol vermelho - seriam seis pessoas, segundo a polícia. Os dois PMs mandaram o motorista do Gol parar, mas ele não obedeceu. Iniciou-se a perseguição e o motorista entrou com o veículo na Favela do Jardim Maristela. Todos deixaram o carro e entraram na casa de uma faxineira, onde também morava a gráfica Michelle Almeida Hidd, de 23 anos. Segundo a faxineira disse aos policiais, os homens afirmaram ser amigos de Michelle. Contaram que estavam sendo perseguidos e deixaram vários objetos no quarto da gráfica. Quando se preparavam para sair, foram surpreendidos pelos policiais militares. Dois dos suspeitos foram presos e dois escaparam no Gol. Os detidos estavam, de acordo com a polícia, com documentos falsos. Só na delegacia descobriu-se a verdadeira identidade dos acusados: Aguinaldo Aparecido Gonçalvez, de 26 anos, e José Roberto Pinheiro, de 33. Ambos estavam foragidos. O primeiro escapara de uma penitenciária em Tremembé e o outro, de uma prisão em Campinas.TelefonesNo quarto de Michelle estavam sete celulares 11 recarregadores, munição calibre 44, uma bolsa para transportar fuzil, uma pistola de brinquedo, 15 gramas de maconha e três agendas que, segundo a Polícia Militar, tinham quase mil números de telefones, entre eles o que seria do traficante Fernandinho Beira-Mar e o de um preso de Bangu 4. O delegado Paulo César Ramos Poli, do 33.º DP, é cauteloso. "Não sabemos se o número pertece realmente a Beira-Mar. Tudo será objeto de investigação." Ele afirmou que é preciso apurar a propriedade das linhas e as ligações efetuadas por elas para saber se eram usadas em atividades criminosas. Por isso, decidiu autuar os acusados por formação de quadrilha, porte de entorpecente e pelos documentos falsos. Depois de deterem os dois homens e levá-los à delegacia, os policiais retornaram para a casa e encontraram Michelle, que também foi presa. Nenhum dos acusados quis prestar depoimento. Disseram que só darão sua versão dos fatos no interrogatório judicial. Mas a gráfica negou que mantivesse uma central telefônica para quadrilhas de criminosos. Ela não quis responder sobre Beira-Mar, que também está preso em Bangu 1, prisão que faz parte do Complexo Penitenciário de Bangu, como Bangu 4.

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