Polícia apreende material de grupo neonazista em SP

Ação contra o Front 88 achou livros e facas; membro foi indiciado por tentativa de homicídio

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) fez ontem uma operação para desarticular o grupo neonazista Front 88. Foram apreendidos livros, camisa com suásticas, cruzes gamadas e bandeiras da confederadas, (símbolo dos racistas do sul dos Estados Unidos), além de facas, espadas, machadinhas, coturnos com pontas de aço e até mesmo um regulamento que devia ser cumprido pelos soldados do bando. Um de seus supostos integrantes, o produtor de eventos Rogério Moreira, de 20 anos, foi indiciado sob a acusação de tentar matar um integrante de um grupo rival, o Vício Punk."Esse grupo estava em guerra com outros dois grupos punks", afirmou a delegada Margarete Barreto. A guerra entre essas gangues - há cerca de 25 delas atuando em São Paulo - começou em 2007, com o assassinato de um integrante do grupo Front 88. Um dos autores, o então adolescente H., de 17 anos, foi alvo de uma represália dos neonazistas em 2 de agosto de 2008, na Rua Paim.O punk foi cercado por oito neonazistas e esfaqueado, mas sobreviveu e apontou Moreira como um dos autores do crime. Em maio, a polícia do Paraná repassou à Decradi informações sobre a atuação do Front 88 e de suas supostas ligações com o neonazista Ricardo Barollo, de 33 anos, preso em Moema, na zona sul de São Paulo, e suspeito de ser o mandante da morte de um casal durante uma reunião neonazista no Paraná.Barollo buscava se tornar líder do movimento de criação da Neuland (Terra Nova). Em 7 de setembro de 2008, ele liderou uma reunião em Curitiba entre grupos neonazistas de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais, cujo objetivo seria criar um partido nacional socialista unificado no País. "O Front 88 participou dessa reunião", disse a delegada. Segundo ela, as despesas de locomoção foram pagas por Barollo.Com base nessas informações, a Decradi pediu à 1ª Vara do Júri de São Paulo mandados de buscas e apreensão para revistar oito casas de suspeitos de participar da tentativa de homicídio do adolescente H. Também pediu a decretação da prisão temporária de Moreira, que havia sido reconhecido pela vítima, mas a Justiça concedeu apenas os mandados de busca.Entre os itens apreendidos pelos policiais havia uma bandeira paulista cujo mapa do Brasil, no alto, havia sido substituído pela suástica. "Também apreendemos filmes e CDs com material neonazista", afirmou o delegado José Antônio Ayres de Araújo. Ao todo, 43 policiais participaram da operação.O Front 88 seria composto por 30 integrantes. Seus membros teriam o hábito de se encontrar nas estações de metrô Santa Cruz, São Judas e Ana Rosa e no Parque Villa-Lobos. Eles manteriam ligações com o grupo neofascista Brigadas Integralistas, que também deve ser investigado. Entre as regras da gangue estava a obediência ao líder, não revelar assuntos internos do grupo e não "demonstrar prepotência" com grupos skinheads. "Todos os integrantes devem estar conscientes de que sem união não há força", diz um dos mandamentos do grupo. "Eles podem ser indiciados sob as acusações de formar quadrilha e apologia ao nazismo", disse a delegada.

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