Polícia apreende material neonazista em cinco cidades gaúchas

Grupo se preparava para atacar sinagogas e homossexuais, segundo policiais; três bombas foram encontradas

Carlos Rollsing, especial para O Estado,

19 de maio de 2009 | 08h06

Ofensivas realizadas no princípio da manhã de segunda-feira, 18, contra residências de militantes gaúchos do grupo neonazista Neuland, que em alemão significa nova terra, resultaram na apreensão de mais de 300 peças alusivas aos ideais de Adolf Hitler. Camisetas, botas, livros, CD's, DVD's, cruzes, facas e bombas foram encontradas nas casas de membros da facção em Porto Alegre, Viamão, Cachoeirinha, Caxias do Sul e Bento Gonçalves.

 

O titular da 1º Delegacia de Polícia de Porto Alegre, Paulo César Jardim, acredita que, apesar de nenhuma prisão ter sido efetivada, a ação evitou ataques terroristas em sinagogas do Rio Grande do Sul para matar judeus. "Não podemos prender ninguém por pensar, cultuar ou planejar. Mas, felizmente, conseguimos fazer o mais difícil: abortar tragédias futuras. De fato, eles estavam prestes a explodir uma sinagoga", assegurou o delegado. Quatro dos cinco proprietários do material apreendido são procurados para prestar depoimento.

 

O Neuland possui cerca de 50 membros identificados pela Polícia Civil em solo gaúcho. A matriz do grupo está em São Paulo, contando ainda com ramificações em Santa Catarina e no Paraná. O líder nacional é o paulista Ricardo Barollo, 34 anos, que está preso por duplo homicídio em penitenciária paranaense. Distribuindo ordens da cadeia, ele teria encomendado a morte de um casal curitibano, em abril passado, ao gaúcho Jairo Fischer, 21 anos, detido dias atrás em Teutônia pela prática dos assassinatos.

 

Os membros do Neuland não foram encontrados nas residências fiscalizadas durante a operação, mas, a partir de indícios e informações, o delegado Paulo César Jardim confirmou que o grupo importa armamentos pesados da Argentina. Em várias fotos e vídeos apreendidos, os pregadores do neonazismo posam com pistolas e metralhadoras. "Ainda não sabemos onde estão as armas. Mas a nossa busca por flagrantes é permanente". Algumas subdivisões do Neuland treinam os seus seguidores para a execução de diferentes tarefas, como fabricar bombas, cometer atentados e difundir a ideologia ariana. A parcela gaúcha da facção estaria preparando-se para transcender os ritos teóricos, buscando atuação prática em ataques contra judeus, homossexuais, negros e punks. Independentemente da posição ocupada na organização, os integrantes passam por lições doutrinais e operacionais. Os neonazistas brasileiros ainda trocam conhecimentos ideológicos com admiradores do ditador Adolf Hitler do Chile, da Inglaterra e da França.

 

No Rio Grande do Sul, já chega a 25 o número de militantes indiciados e denunciados à Justiça. Parte deles já cumpriu pena. Jardim afirma que dez assassinatos ocorridos nos últimos 60 dias no país são investigados por demonstrarem indicativos de vinculação com o Neuland. O delegado nega que a liderança gaúcha do grupo seja exercida por Jairo Fischer, preso em Teutônia e posteriormente transferido ao Paraná, onde responde pelo crime de duplo homicídio. "Ele ganhou fama e ascensão depois de ter matado duas pessoas a mando do Ricardo Barollo. Mas, apesar disso, ele não é dirigente do movimento no Rio Grande do Sul", ponderou. A identificação do comandante gaúcho da facção será mantida em sigilo para não atrapalhar as investigações.

 

Ampliada às 17h57

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