Polícia apreende pasta de cocaína e granadas no Rio

Policiais civis do Rio apreenderam oito quilos de pasta de cocaína e 52 granadas de fabricação caseira na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), reduto do Comando Vermelho (CV). Os artefatos, apreendidos na manhã desta segunda-feira, tinham inscrições da facção do Rio e do Primeiro Comando da Capital (PCC), principal grupo criminoso de São Paulo. A droga, descoberta numa casa na sexta-feira, vale cerca de R$ 68 mil.As siglas CV - PCC estavam escritas nas granadas com caneta hidrocor vermelha. Para o delegado titular do Serviço de Repressão a Entorpecentes (SRE) da Baixada, Ronaldo de Oliveira, há poucas chances de as inscrições significarem colaboração concreta entre as duas facções criminosas."Pelo modo como estão escritos os nomes das facções, creio que seja algo amador, fruto apenas de empolgação. Por causa dos ataques em São Paulo, o PCC criou um certo modismo entre os traficantes. Sempre houve uma relação entre o CV e o PCC, mas não acredito que na Beira-Mar seja algo além do que simpatia", disse o delegado, que comandou a operação. "Os objetivos das duas quadrilhas é diferente. O CV só está preocupado em ganhar dinheiro com o tráfico".No entanto, o delegado não afastou a hipótese de que a apreensão possa revelar alguma ligação operacional entre as duas facções e promete investigar. "Nunca encontramos indícios de colaboração direta do PCC com traficantes da Beira-Mar, mas vamos aprofundar as investigações", afirmou.A operação deflagrada no início da manhã tinha como objetivo a captura do líder do tráfico local, Juliano Gonçalves de Oliveira, conhecido como Juca. Ele ocupa o posto que já foi de Fernandinho Beira-Mar, líder do Comando Vermelho, que está preso em Catanduvas (PR). O bandido não foi encontrado, mas a polícia conseguiu chegar ao depósito das granadas, próximo a um valão, num local de difícil acesso e muito arriscado. Os policiais ainda apreenderam dez quilos de maconha e munição de diversos calibres.Operação no CateteEm outra operação, na noite de sexta-feira, policiais da delegacia do Catete (9ºDP) prenderam Maria de Jesus de Souza, de 52 anos, e Djalma Jorge Alves, de 29, com 8,5 quilos de pasta de cocaína. Os dois negaram as acusações, mas para a polícia, mãe e filho trabalhavam na distribuição de drogas para o CV. A pasta serve de base para a adição de produtos químicos que aumentam o volume e determinam o grau de pureza da cocaína vendida aos usuários. Segundo o delegado Fernando Veloso, cada tijolo de um quilo da pasta vale R$ 8 mil no mercado de entorpecentes. No fundo da casa dos dois, os policiais encontraram ainda 306 de cocaína, 156 porções de maconha, um rádio transmissor, uma pistola 9 milímetros, munição e carregadores para fuzil.No entanto, o que mais chama a atenção no material apreendido são cadernos com a contabilidade da boca-de-fumo. As anotações discriminam despesas com o chamado "arrego", que significa o suborno de policiais, provavelmente militares. Nas notas do último dia 16 de julho, os traficantes relacionam R$ 5 mil para o "arrego" de sexta, sábado e domingo. Os policiais ficaram com a maior parte das "despesas" dos criminosos, que totalizaram R$ 6.366 naquele dia. Há ainda gastos com fogueteiros (R$ 200) e comida para eles (R$ 100). O frete para a droga, de Kombi, custou ao tráfico naquele dia R$ 100. "Vamos enviar as anotações para a corregedoria da PM investigar os policiais do batalhão que faz o policiamento local", informou Veloso.A operação da delegacia do Catete também tinha como objetivo a prisão de um líder do tráfico. Os policiais suspeitavam que Humberto Ferreira da Silva, o Beto, estava escondido na Beira-Mar, mas ele também não foi encontrado. Beto, chefe do tráfico do Morro Santo Amaro, no Catete (zona sul), é acusado de comandar uma chacina que deixou cinco mortos na favela em junho deste ano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.