Polícia apresenta seqüestradores de Olivetto

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, apresentou os seis criminosos presos pelo seqüestro do publicitário Washington Olivetto e confirmou os nomes que o Estado divulgou hoje, em reportagem. Segundo ele, apenas um dos seqüestradores foi seguramente identificado, o líder Maurício Ernandes Norambuena, 43 anos, procurado pela polícia chilena por perpetrar atos terroristas.O secretário informou, em entrevista coletiva, que a polícia paulista já está em contato com as autoridades chilenas para identificar os outros presos, que portavam identidades argentinas e, até o momento, não revelaram seus nomes reais. Os indícios são de que pelo menos mais um deles seja chileno. Saulo de Castro confirmou que pelo menos mais dois seqüestradores ainda não presos foram identificados, e que a polícia está atrás deles.O secretário informou ainda que a polícia de São Paulo trabalha com a hipótese de que entre dois e oito outros seqüestradores da quadrilha participaram da ação e estão foragidos. As investigações se concentram neste momento em identificar a origem do grupo e os vínculos entre seus membros."Por enquanto, o crime está sendo tratado como comum", afirmou o secretário.Godofredo Bittencourt Filho, diretor do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), disse trabalhar com o vínculo do grupo de seqüestradores com atos terroristas, principalmente pelo histórico do líder da quadrilha. Ele revelou que estabeleceu negociação com os seqüestradores na tentativa de garantir que Olivetto saísse com vida do episódio.Segundo Bittencourt, por volta das 11h de sábado, o chefe dos seqüestradores propôs um acordo, de que mandaria libertar Olivetto, e que o publicitário sairia com vida se o diretor do Deic permitisse que Norambuena fizesse um telefonema.A polícia rodou com o seqüestrador na cidade de São Paulo e ele escolheu ao acaso um telefone público. Pediu para que a parasse e, ali, fez o telefonema."O seqüestrador nos disse que não tinha contato direto com o cativeiro e que a organização do seqüestro funcionava em células estanques, sem comunicação direta entre si", relatou Bittencourt.De acordo com ele, o seqüestrador afirmou que havia ligado para um integrante de uma dessas células e este, por sua vez, informara que, entre as 11h de sábado e a manhã de segunda-feira, entraria em contato com os responsáveis pelo cativeiro."Por isso, ele nos disse que a libertação de Olivetto poderia ocorrer só na segunda-feira", explicou. Menos de 12 horas depois, no entanto, o cativeiro de Olivetto já havia sido descoberto e o publicitário, libertado. Bittencourt confirmou ainda que a polícia já encontrou uma outra casa utilizada pelos seqüestradores na rua Luís Goes, em São Paulo, e que parte dos bandidos teria alugado esse imóvel em agosto do ano passado.O endereço exato ainda está em sigilo. A casa passa por vistoria neste momento por peritos da Polícia Civil e uma equipe da Delegacia Anti-Seqüestro (Deas).Os seis seqüestradores apresentados à imprensa foram trazidos da sede do Deic para o prédio do Deas, na avenida Higienópolis, escoltados por dez viaturas da polícia com homens fortemente armados. Por volta das 15h10, eles voltaram para o prédio do Deic, onde estão detidos.O delegado Wagner Giudice, do Deas, deixou o local da entrevista coletiva mais cedo. "Estamos com muito trabalho. Tenho que continuar o interrogatório com todos os presos ainda hoje e ouvir testemunhas do seqüestro", justificou.Entre as testemunhas, Giudice citou um homem cuja identidade é mantida em sigilo e que teria sido contratado pela quadrilha para realizar pequenos serviços no cativeiro da rua Kansas, no Brooklin, onde Olivetto esteve preso. Nem o secretário de Segurança Pública, nem os policiais que participam das investigações confirmaram a suposta existência de brasileiros envolvidos com o seqüestro. "Não dizemos que não existam, mas até o momento não há nada que confirme", disse Giudice.

Agencia Estado,

04 de fevereiro de 2002 | 16h00

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