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Polícia apura denúncias de abusos na Febem de Jales

A Polícia Civil e o Ministério Público investigam denúncias de desvios de verbas e maus-tratos na unidade de semiliberdade da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor de São Paulo (Febem-SP) em Jales, a 560 quilômetros de São Paulo. De acordo com as acusações, os menores eram submetidos também a trabalhos forçados.A unidade é administrada pela Associação Beneficente Monte Sião, ligada à Igreja Presbiteriana Renovada. Ela foi criada em 2000 pelo juiz da Infância e da Juventude de Jales, José Pedro Curitiba, que agora deverá responder à Corregedoria do Tribunal de Justiça sobre as irregularidades. À reportagem do Estado, o juiz disse não ter presenciado qualquer irregularidade nos cinco anos de existência da unidade. As investigações se baseiam no relatório de uma sindicância da Febem, que determinou o fechamento da associação até junho. RelatórioDe acordo com o relatório, o pastor Renato Jônatas Muniz Pereira, responsável pela associação, é acusado de obrigar os garotos a trabalharem 12 horas por dia e de maltratar os internos. Também há indícios de que a associação teria apresentado relatórios falsos para comprovar despesas, de desviar recursos e de ampliar a permanência dos internos para além do prazo legal. O pastor negou as denúncias.Segundo o relatório, os jovens dormiam em quartos trancados por grades iguais às de presídio. Além disso, eram obrigados a freqüentar cultos da igreja presbiteriana. Os que se recusavam eram punidos com castigos, que iam desde a proibição de receber visitas a carregar pesadas latas com terra.PastorO pastor Renato Jônatas Pereira negou as denúncias. Disse que elas foram feitas pela Febem para justificar a rescisão do contrato, pois foi aberta outra unidade de semiliberdade numa cidade vizinha. Segundo ele, as denúncias de maus-tratos são contra dois monitores da Febem que agrediram um garoto no final de dezembro. "Essas denúncias foram feitas por mim ao Ministério Público."Sobre os supostos desvios de recursos, o pastor disse que a Febem deve R$ 40 mil à associação e, para não pagar, "inventou essa história". De acordo com Pereira, se houvesse maus-tratos e trabalhos forçados, a unidade não teria ficado cinco anos sem uma única rebelião.

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