Polícia atribui morte de prefeito a briga por poder

Briga por poder foi a motivação do assassinato do prefeito Braz Paschoalin (PSDB), de Jandira, segundo conclusão da polícia. "Não há comprometimento político-partidário, o que fica evidente é que o prefeito ou fechou uma torneira que estava aberta ou não deixou abrir. Só existem essas duas possibilidades", disse o delegado Zacarias Katzer Tadros, que investiga o caso. "Braz impediu alguém que queria ter acesso a alguma coisa ilícita, a valores do poder municipal."

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

Sete suspeitos estão presos, cinco deles apontados como executores e dois como mandantes - estes são Wanderley Aquino, ex-secretário municipal de Habitação, e um empresário de caça-níqueis. "Um grupo precisava de parcela de poder no município até para tirar vantagem", informa o delegado. "O prefeito bloqueou isso de alguma forma."

Tadros, 26 anos de experiência policial, prevê a conclusão do inquérito para o início de janeiro. Está convencido de que trilha o caminho certo. "Falta pouco para fechar o elo entre executores e mandantes."

Novas prisões podem ocorrer, de outros mandantes.

O delegado anota que sua missão não é investigar a conduta do prefeito, sobre quem recaíam suspeitas de irregularidades. "Estou investigando quem matou, o motivo, se houve paga e quem mandou matar", assevera o policial, do setor de homicídios.

O inquérito corria sob segredo. Na última quinta-feira, a requerimento da polícia e do Ministério Público, a Justiça afastou o sigilo dos autos. A polícia já tem provas de ligações do ex-secretário de Habitação com o crime organizado - seu advogado, o criminalista Mauro Otávio Nacif, rebate a suspeita. Ele sustenta enfaticamente a inocência de Aquino.

"Foi um crime de mando, não resta dúvida", reafirma o delegado, que também assumiu a investigação sobre outros dois crimes em Jandira, o assassinato de um vereador e o de um suplente de vereador.

"Vai ter que cessar essa briga por poder na cidade, por bem ou por mal", avisa Zacarias Tadros. "Essas pessoas que se aliam a políticos para obter alguma vantagem vão ter de parar ou mudar de praça correndo."

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