Polícia busca acusados de aplicar golpe do seqüestro

A Polícia Civil de Bebedouro, a 383 quilômetros de São Paulo, reiniciou a busca por dois bandidos da família Pins. O pai, José, de 54 anos, e o filho, Herieverson, de 29, aplicam golpes em comerciantes e empresários, dos quais forjam seqüestros. A dupla tem pelo menos 13 mandados de prisões expedidos em três Estados (três em São Paulo, nove no Paraná e um em Goiás), mas fez vítimas em diversos outros. Herieverson é da terceira geração de bandidos da família, que começou na criminalidade há cerca de 40 anos. A mãe de José, Angelina, foi detida por receptação em 1979 e ele foi condenado por furto no mesmo ano. Com uma investigação iniciada em Bebedouro, pai e filho foram presos em 2006, mas fugiram da cadeia de Goiânia, e pela porta da frente. O delegado Carlos Alberto Lopes, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de Bebedouro, disse que a última residência de José era em Ribeirão Preto, enquanto Herieverson morava em São José do Rio Preto. Porém, espertos, atraíram comerciantes e empresários de todo o País para bons e atraentes negócios, oferecendo maquinários ou produtos com preços vantajosos, abaixo de valores de mercado. Essa é a tática usada por eles para seqüestrar suas vítimas. Em abril de 2006, por exemplo, dois comerciantes de lingerie, de Goiânia, foram atraídos até Bebedouro, pois o preço de um tecido oferecido estava baixo e o produto teria sido proveniente de um leilão da Receita Federal, segundo os bandidos. As vítimas receberam amostras da matéria-prima na capital goiana. Quando chegaram em Bebedouro, porém, foram levadas para um cativeiro, na zona rural, onde ficaram quase dois dias. Os comerciantes foram obrigados a telefonar para Goiânia e pedir o depósito de R$ 50 mil na conta bancária mencionada pelos bandidos Pins. A sorte dos comerciantes é que os bandidos só conseguiram sacar R$ 1,8 mil num caixa eletrônico, pois o restante foi bloqueado em tempo. Um correntista laranja, que foi sacar o restante do dinheiro em Mineiros (GO), foi preso em flagrante. "Na maioria dos casos, os familiares das vítimas nem ficam sabendo dos seqüestros, pois os comerciantes são obrigados a telefonar e dizer que tudo está bem, que o negócio é bom e que o depósito deve ser feito numa conta bancária", explica o delegado Lopes. "Assim, os parentes nem têm como avisar a polícia." Com uma escuta telefônica, a polícia de Bebedouro conseguiu levar José e Herieverson para a cadeia em setembro último, mas eles fugiram três meses depois, em Goiânia. Neste mês, pai e filho atraíram comerciantes de Jales para compras de maquinários agrícolas em Ribeirão Preto. As vítimas ficaram dois dias num cativeiro, em poder dos bandidos.

Agencia Estado,

26 Fevereiro 2007 | 19h52

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