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Polícia busca corpo de jovem em sítio de goleiro do Flamengo

Segundo bombeiros, havia suspeita da presença de corpo em cisterna; Bruno é afastado do time

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2010 | 18h24

BELO HORIZONTE - A Polícia mineira apertou o cerco nesta segunda-feira, 28, ao goleiro Bruno Fernandes, de 25 anos, do Flamengo, nas investigações sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, 25, com quem teria um filho de 04 meses, fruto de uma relação extraconjugal. A Polícia Civil trabalha com evidências de que a jovem teria sido morta em um sítio de propriedade do jogador, no Condomínio Turmalina, na cidade Esmeralda, região metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, a Justiça Estadual expediu mandado de busca e apreensão no condomínio. No início da noite, o Corpo de Bombeiros informou que havia a suspeita da presença de um corpo em uma cisterna nas proximidades do sítio.

 

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Equipes da Polícia Civil chegaram ao local por volta de 16h30 com a autorização judicial e iniciaram as buscas. Os bombeiros foram acionados no fim da tarde. A titular da Delegacia de Homicídios de Contagem, Alessandra Wilke, reiterou que decidiu instaurar o inquérito após receber uma denúncia anônima na última quinta-feira. "A denúncia dizia que o Bruno e mais dois amigos teriam espancado a Eliza, teriam ocultado o corpo e teriam queimado as roupas dela", disse.

 

Ainda pela manhã, após uma reunião com o chefe do Departamento de Investigações (DI), Edson Moreira, a delegada informou que Bruno será ouvido no momento mais "oportuno para as investigações", o que deverá ocorrer ainda nesta semana. Mas recomendou que o goleiro - que foi afastado pelo clube carioca por tempo indeterminado - não viaje. "Para ele não seria interessante nesse momento. Ele tem que esclarecer o que aconteceu."

 

Nos depoimentos colhidos até o momento, funcionários do sítio e outras testemunhas confirmaram que Bruno esteve em seu sítio do dia 06 ao dia 10 último. Desde o início do mês, parentes e amigas perderam o contato com Eliza. Ela teria dito que viria para Minas com o filho a convite de Bruno. "Ao que tudo indica, ele a convidou para vir para cá. Trouxe ela para Minas para passear, para conversar. E ela desapareceu, está desaparecida desde o dia 04 ou 05 de junho", ressaltou Moreira.

 

Nos depoimentos, funcionários do sítio afirmaram que Luiz Henrique, conhecido como Macarrão - amigo de infância e espécie de faz tudo do goleiro carioca -, chegou ao sítio com a criança no dia 07 de junho.

 

O bebê, registrado como Bruno pela mãe, foi apresentado com outro nome: "Ryan". No seu depoimento, Dayanne afirmou que o marido teria alegado que a Eliza havia abandonado a criança. Nenhuma testemunha confirmou a presença de Eliza no sítio. A mulher de Bruno chegou a ser presa em flagrante por subtração de incapaz no fim da noite de sexta-feira, mas ganhou direito a responder em liberdade na manhã seguinte. A mando do goleiro do Flamengo ela teria tentado ocultar o paradeiro do bebê - que foi localizado na madrugada de sábado numa residência do bairro Liberdade, em Contagem.

 

Trauma. O pai de Eliza, o arquiteto Luiz Carlos Samudio, de 43 anos, obteve no domingo uma autorização judicial temporária de 90 dias pela guarda da criança, com a qual retornou hoje para Foz do Iguaçu (PR), onde mora. No seu depoimento de cerca de quatro horas concedido no domingo, Samudio fez questão de contestar a versão segundo a qual a filha tivesse abandonado a criança.

 

O pai - que desembarcou em Belo Horizonte admitindo que tinha "quase certeza" de que a filha estava morta - contou que não acreditava nessa possibilidade, pois Eliza não teria superado o trauma de ter sido abandonada pela mãe aos cinco meses de idade. A mesma versão foi dada por amigas de Eliza.

 

"Todo mundo bate o pé, falando que ela não abandonou essa criança, até porque ela foi abandonada pela mãe quando ela tinha cinco meses de idade. Ela tinha o maior trauma desse tipo de situação", disse Alessandra. "Ela jamais abandonaria o filho porque está com um processo de paternidade no Rio de Janeiro", completou Moreira.

 

Bruno não se submeteu ao exame de DNA e a paternidade estava sendo discutida judicialmente. No ano passado, jovem chegou a registrar queixa contra Bruno na Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, no Rio, acusando-o de sequestro, ameaça e agressão. Ela disse à polícia que o goleiro tentou obrigá-la a tomar abortivos.

 

No mês passado, porém, o goleiro surpreendeu a defesa de Eliza manifestando disposição para um acordo. Ele teria, inclusive, compensado financeiramente a ex-amante com R$ 2 mil antes de convidá-la para vir morar em Minas.

 

Texto atualizado às 19h50.

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