Polícia Civil acredita que PCC não está envolvido em morte de carcereiro

A Polícia Civil acredita que o PCC não está por trás do assassinato do carcereiro Gilmar Francisco da Silva, de 39 anos, ocorrido na quinta-feira, no Jaraguá, Zona Oeste. Na madrugada de sexta-feira, policiais começaram a investigar o caso e descobriram que Gilmar vinha sendo ameaçado por vizinhos. As ameaças teriam começado há quatro meses, quando ele discutiu com um grupo de usuários de drogas que viviam em sua rua.A família de Gilmar confirma que houve a discussão. ?Ele sempre estacionava o carro perto de uma viela da rua. E ali um bando de garotos vive se drogando?, afirma o irmão Gilberto Francisco da Silva. Segundo ele, Gilmar teria dado uma bronca no grupo no início do ano.Na quinta-feira, o carcereiro - que trabalhava no Cadeião Feminino de Pinheiros - foi cercado por cinco homens justamente depois de estacionar seu carro, um Golf, perto da viela da Rua Angelo Rojas. Os criminosos teriam chegado num Gol vermelho. Gilmar entregou suas duas armas - uma pistola ponto 40 e um revólver 38 - aos matadores. Depois, a polícia ainda não sabe o que aconteceu. O fato é que Gilmar levou oito tiros, quatro deles pelas costas, e caiu a cerca de 50 metros do lugar onde havia parado o carro. A suspeita é de que o policial tenha corrido antes de ser executado.Desavenças ?O mais provável é que essa morte esteja relacionada com as desavenças da vítima com os vizinhos?, diz o delegado Indalécio Francisco, plantonista do 74º DP. ?A hipótese de um ataque do PCC é remota. O que pode ter havido é um oportunismo: os atiradores talvez tenham tentado se aproveitar do clima de ameaças feitas pelo crime organizado para cometer o assassinato."Nesta sexta-feira, a família de Gilmar estava desolada. A mãe, Maria Ivanir das Neves, 72 anos, teve de tomar comprimidos. Mesmo à base de sedativos, ela fazia questão de falar sobre o filho. ?Ele estava há muito tempo na Polícia Civil. Era um bom filho.? Na frente dela, na parede, um velho quadro com a foto da época em que Gilmar serviu o exército.?Ele adorava futebol. Nos dias de folga, trabalhava como treinador dos times infantis do bairro?, disse o irmão. Segundo Gilberto, fazia mais de 20 anos que Gilmar era disputado pelos clubes de várzea da Cidade. Atualmente, Gilmar dirigia o Clube Molecada, do Jardim Rincão. Na sua casa, porém, a foto mais significativa era de um excursão com o Alvorada, do Jaraguá.Segundo Gilberto, essa é a segunda vez que um membro da família é assassinado. ?Um outro irmão nosso, o Edvaldo, morreu baleado há uns 10 anos.? De acordo com o irmão, Edvaldo morava no Interior, em Boituva, e por isso Gilberto diz não se lembrar direito da circunstância do crime. ?Mas a vida é assim. Éramos cinco homens e duas mulheres na família. Agora somos duas mulheres e apenas três homens.? Gilmar foi enterrado na sexta-feira, às 16h , no Cemitério Dom Bosco, em Perus, Zona Oeste.

Agencia Estado,

30 de junho de 2006 | 20h32

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