Polícia Civil de Cuiabá vai ouvir novamente pilotos do Legacy

A Polícia Civil de Mato Grosso vai ouvir novamente os pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, do jato Legacy que se chocou com o Boeing 737-800 da Gol, causando a morte de 154 pessoas no dia 29 de setembro. O delegado Luciano Inácio da Silva, que conduz as investigações, quer esclarecer as contradições entre o que eles disseram sobre o plano de vôo do Legacy e o que eles disseram à Polícia Civil dia 30, em Cuiabá.Ainda não há data para ouvir os pilotos. Os controladores de vôo de Brasília e Manaus também serão ouvidos nos próximos dias, em Cuiabá. Dez pessoas já depuseram. A polícia de Mato Grosso quer concluir até o fim do mês o inquérito aberto para apurar o maior acidente aéreo da história do Brasil.O delegado aguarda o resultado das caixas-pretas do Legacy enviadas para análise no Canadá para cruzar as informações dos controladores com as da tripulação do Legacy para saber o que realmente aconteceu na hora do acidente. Em inquérito paralelo, o delegado Renato Sayão, da Polícia Federal, tomará, em data ainda não marcada, os mesmos depoimentos e análise de documentos.Contradições Tanto a Polícia Civil como a Federal já estão convencidas de que o plano de vôo feito pela Embraer e aprovado pelo controle do espaço aéreo brasileiro contradiz o que os pilotos do Legacy afirmaram no único depoimento prestado até agora. As investigações apontam para falha dos pilotos motivo pelo qual vitimou 154 pessoas. Lepore disse que a comunicação via rádio e o sistema anti-colisão do jato executivo da Embraer não funcionaram. Este seria o motivo pelo qual não teria visto a aproximação do Boeing da Gol. Já Paladino afirmou que o equipamento "parecia" estar funcionando. Ele disse ainda que sentiu o impacto e que uma onda de choque se espalhou pelo Legacy após o choque entre os dois aviões.Documento em poder do delegado prova que no plano de vôo elaborado o Legacy deveria manter altitude de 37 mil pés até Brasília, quando então deveria descer para 36 mil pés. Cerca de 500 quilômetros ao norte de Brasília, em Teres, um ponto virtual de controle aéreo, o Legacy teria que subir de 36 mil para 38 mil pés. Neste momento, os dois aviões estariam a 600 quilômetros de distância um do outro. Porém, o Legacy manteve os 37 mil pés durante todo o trajeto, até o choque com o Boeing da Gol. O delegado confirmou que em depoimento os tripulantes do Legacy disseram que voavam a 37 mil pés, seguindo o plano de vôo. "O plano de vôo previa que eles voassem, a partir de Brasília, a 36 mil pés. E um pouco antes do local do choque eles deveriam elevar a aeronave a 38 mil pés. Eles disseram que naquele momento tinham perdido comunicação com a torre", informou Silva.

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