Polícia Civil do Rio terá um núcleo antimilícia

Secretário defende que se discuta federalização desse tipo de crime

Talita Figueiredo e Marcelo Auler, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

A Polícia Civil do Rio vai criar um núcleo para trabalhar apenas com os inquéritos referentes aos crimes cometidos pelas milícias. O chefe da corporação, delegado Allan Turnowski, há uma semana no cargo, anunciou a medida ontem durante reunião da cúpula da Secretaria de Segurança com o procurador-geral de Justiça do Rio, Cláudio Lopes, e promotores de Justiça do Núcleo de Combate ao Crime Organizado e às Atividades Ilícitas do Ministério Público. O núcleo deve entrar em operação em breve, disse Turnowski, sem estabelecer um prazo."A ideia é juntar todos os procedimentos num único lugar, reunir todas as investigações de crimes cometidos por milicianos. Apesar de já existir uma delegacia especializada no combate ao crime organizado (Draco), há grupos de milícias em vários bairros e procedimentos em delegacias de vários locais. O que queremos é reunir todos esses casos para analisar se há ligação entre um crime e outro", afirmou Turnowski.O grupo da Polícia Civil será semelhante ao criado há cerca de dois meses no Ministério Público. Na força-tarefa do órgão, há seis promotores (coordenados por uma procuradora de Justiça) com a atribuição de organizar um combate mais eficaz a esse tipo de crime. "Esse grupo vai trabalhar agora entrosado com a Polícia Civil", afirmou o procurador-geral. "Se os criminosos fazem as associações mais escusas, porque nós, como Estado, não podemos nos reunir para combatê-los?", questionou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Ele defendeu também o debate da federalização do crime de milícia, como propôs no mês passado o ministro da Justiça, Tarso Genro.TV COMUNITÁRIANão durou uma semana a TV Comunitária de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, zona oeste - bairro que serviu de berço às milícias. Reportagens relacionando a TV com os milicianos levou o presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Rio das Pedras (Amarp), Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, a determinar o fechamento do canal 28, instalado em sala cedida. "Não tenho apoio nem participo de nada ilícito", afirmou ontem.A RPTV, segundo Beto Bomba, era de responsabilidade de Cosme Américo, jovem morador da comunidade. Mas o ex-presidente da Amarp Leonardo Magalhães, responsável pela Rádio RP, também se diz um dos donos. Segundo ele, a TV, aberta na terça-feira passada, "não pertencia a nenhum político nem faria campanha para ninguém". Magalhães, com mais de 30 anos de Rio das Pedras, conviveu com todos os chefes de milícia da região, mesmo assim diz nunca ter ouvido "falar em milícia" em toda a sua vida. Porém, deixa escapar que a milícia de hoje "era chamada de polícia mineira" antigamente. Beto Bomba garante não ter ligação com milicianos, apesar de seu nome estar relacionado a esses grupos no relatório final da CPI das Milícias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.