Polícia Civil erra em 15% dos boletins de ocorrência

A Polícia Civil erra em 15% dos Boletins de Ocorrência (Bos) feitos na cidade de São Paulo. Desse total, o Controle de Qualidade de Boletins de Ocorrência detectou que um terço das falhas se refere ao tipo de crime registrado. Assim, um roubo pode virar furto ou um homicídio, encontro de cadáver. Cerca de 60 mil BOs são feitos todos os meses na capital paulista.Mas o número de erros já foi muito maior. Quando foi instalado o Centro de Controle na Secretaria da Segurança, eram constatadas falhas em 80% dos boletins - a maioria deles por preenchimento errado. A auditoria faz parte do sistema Informações Criminais (Infocrim), que deverá ser ampliado este ano da capital para o resto da região metropolitana.O governo criou o Centro de Controle porque a exatidão das informações é fundamental para o planejamento e a integração do trabalho das polícias, que inclui a adaptação das áreas de atuação das unidades (uma delegacia trabalhando na mesma região que uma companhia da PM). É por meio das estatísticas que a secretaria fixa metas de redução de criminalidade para cada comando da polícia. Papel - Antes do Infocrim, as estatísticas eram usadas de forma burocrática e havia fontes diferentes de dados, provocando erros. As informações, colhidas manualmente, eram passadas em papel à secretaria. Não existia padronização para preenchimento de BOs nem fiscalização.Com o Infocrim, o governo fixou metas de redução do crime baseadas nas estatísticas. A secretaria adotou em 2001 uma única fonte de dados coletados eletronicamente e a polícia passou a ter acesso em tempo real aos dados dos BOs da capital. Além disso, preparou manuais e cursos para os policiais preencherem os BOs e usarem o Infocrim, programado para produzir mapas dos crimes, permitindo saber hora, dia, local, tipo de delito e descrição dos bandidos.Segundo a diretora da Coordenadoria de Análise e Planejamento da secretaria, Ana Sofia Schmidt, mesmo que um policial manipule dados estatísticos para cumprir metas de redução do crime, ele seria flagrado pelos cerca de 20 funcionários do Centro de Controle. Ela afirma que os erros detectados não contaminam as estatísticas criminais. Os dados do Infocrim não têm revisão. As estatísticas são feitas após a correção dos BOs."Foi um avanço, mas é preciso que a polícia não use o instrumento burocraticamente", diz o coronel José Vicente da Silva, pesquisador do Instituto Fernand Braudel, que ainda considera precário o planejamento conjunto das polícias. A Grande São Paulo, por exemplo, concentra cerca de 70% dos roubos e homicídios do Estado, mas conta com um terço do efetivo policial. Para José Vicente, a distorção tem razões eleitoreiras. "A Grande São Paulo não elege governador."

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