Polícia Civil investiga ligação de sambista com PCC

A Polícia Civil vai abrir inquérito para investigar a participação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Escola de Samba Império de Casa Verde, segundo reportagem do Estado desta quarta-feira. Na semana passada, nove pessoas acusadas de pertencerem a um dos núcleos da facção foram presas na zona norte, entre elas dois diretores e um sambista. Outras duas pessoas estão foragidas.O diretor de Harmonia da Escola, Alexandre Furtado, conhecido como Tetinha, e o sambista Rogério Sevilha da Silva, o Dito Negão, foram presos. Um terceiro diretor, Fábio Franco de Oliveira, o Fabinho, está foragido. A agremiação não comentou o caso.Eles têm ligações com um dos acusados presos na semana passada, o traficante Sidney Rogério de Moraes, de 39 anos, o Lacraia. Ele é responsável pela arrecadação de dinheiro em bocas-de-fumo de várias regiões da cidade, segundo o delegado Fábio do Amaral Alcântara, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da zona norte, que fez as prisões em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar.O grupo arrecadava até R$ 500 mil por mês. Lacraia foi preso no sábado, 9. Ele estava na loja Casa da Bisa, na Casa Verde Alta, da qual seria proprietário. Com ele foi detido em flagrante Dênis Damasceno dos Santos, por clonar cartões bancários.A chefia da célula era dividida entre Lacraia, Tetinha e Fabinho. Em novembro, policiais invadiram a fábrica de bijuterias de Fabinho, que serviria de fachada para o grupo. Eles encontraram cadernos com a contabilidade da célula e atas de reuniões da facção, além de um colar de ouro maciço e relógios. Preso na semana passada, Tetinha é acusado de tráfico.Também foram detidos Marileide Aparecida Bastos dos Santos, a Nega, amante de Dito Negão; o irmão dele, Maicon Sevilha da Silva, o Donda; Rodrigo Ubirajara de Golveia, o Birinha; e José da Rocha de Moraes, o Zé. A polícia indiciou ainda Elder da Silva Augusto, já detido em Franco da Rocha. Além de Fabinho, segue foragido Márcio José Fornez, gerente de Tetinha.A investigação começou após a onda de ataques promovida pelo PCC, em maio. Desde então, 50 linhas telefônicas passaram a ser monitoradas. Graças a isso, policiais descobriram que, durante a greve de fome promovida em novembro por presos do PCC em Presidente Bernardes, presidiários mandaram recados a comparsas em liberdade para que estivessem prontos para executar novos atentados.Saída para festasCentenas de presos da capital que cumprem pena no regime aberto vão poder passar 11 dias fora da prisão durante as festas de fim de ano - quatro dias a mais do que a lei permite para cada saída temporária. A decisão é do juiz-corregedor dos presídios da capital, Carlos Fonseca Monnerat. Ele entende que Natal é uma festa e Ano Novo, outra. "A lei permite cinco saídas por ano de até sete dias, o que dá 35. Neste ano, o total de saídas somará 31 dias", afirmou. A saída será das 8 horas de 22 de dezembro até as 17 horas de 2 de janeiro.Para o promotor Dimitrios Bueri, a medida vai aumentar a criminalidade. "Os bandidos estarão mais tempo na rua longe de vigilância e, nessa época, há mais gente nas ruas, com mais dinheiro no bolso", afirmou. Ele recorreu ao Tribunal de Justiça, mas o pedido de liminar foi negado. O mérito do recurso ainda será julgado.A preocupação de Bueri não é com ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas com a criminalidade comum. "Não há notícia de nada sendo articulado pelo PCC", disse. Segundo ele, o feriado de fim do ano concentra o maior índice de não retorno dos presos, em comparação com os outros.Para o defensor público Geraldo Carvalho, responsável pela assistência judiciária nos presídios do Estado, o promotor parte do pressuposto errado ao pensar que os presos vão sair da cadeia para cometer crimes. Segundo ele, a maioria sai para se reintegrar com a família.

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