Polícia Civil investiga mortes em série de mulheres em Goiás

Foi criada uma força-tarefa para apurar os crimes; doze jovens foram assassinadas desde janeiro, de forma parecida

Marília Assunção, Especial para O Estado

04 Agosto 2014 | 22h26

GOIÂNIA - Uma sequência misteriosa de 12 assassinatos de jovens mulheres com características parecidas fez a Polícia Civil de Goiás criar uma força-tarefa, com 10 delegados, para apurar os crimes, todos ocorridos em Goiânia, ante o pânico de uma possível ação organizada. A suspeita gira em torno de criminosos diferentes que agem da mesma forma, mas os investigadores não descartam um assassino em série. 

A última vítima, Ana Lídia de Souza, tinha apenas 14 anos de idade e foi morta no sábado em um ponto de ônibus, atingida com dois tiros no peito. A adolescente seguia para uma feira noturna de roupas, calçados e alimentos, onde trabalhava como ajudante em uma banca.

A morte em local público, como ocorreu com a adolescente, é uma das características dos casos. Mas a principal característica tem a ver com o assassino, que sempre está de capacete, em uma motocicleta de baixa cilindrada, mas descrita como vermelha ou preta, e de marcas diferentes. O homem se aproxima das vítimas e em algumas vezes pede um objeto como celular, ou não, depois atira e não leva nada, como aconteceu com Ana Lídia.

Uma das vítimas foi atingida dentro do veículo em que estava, ao lado do namorado. Outra foi morta ao lado do namorado e de uma amiga na porta de uma lanchonete, sendo que os celulares e carteiras estavam nas mesas, mas nada foi levado.

O novo caso fez com que a Polícia Civil admitisse, pela primeira vez, desde que as abordagens violentas iniciaram as mortes, em janeiro, a hipótese de um único assassino, no caso um serial killer. Várias vítimas foram atacadas em bairros vizinhos ou da mesma região da cidade.

Prisões. Um dia após a última morte, no domingo, 3, em entrevista coletiva, o delegado titular da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios, Murilo Polati, reforçou que as investigações caminham para casos com motivações diferentes e múltiplos autores, mas a ação de um só passou a ser publicamente considerada. 

Ele chegou a dizer que 11 pessoas foram presas, suspeitas de envolvimento em algumas das 40 mortes de mulheres ocorridas este ano em Goiânia - das quais 12 têm características parecidas. Também falou de crimes envolvendo drogas ou passionais, e que algumas das mortes podem ter sido organizadas por este motivo, mas propositadamente com características iguais aos outros casos, o que, para a polícia, seria para "desviar a atenção". 

Familiares de algumas das vítimas, como da garota Ana Lídia, discordam. Em entrevista à Televisão Anhanguera, a avó de criação de Ana Lídia, Ivone de Souza, destacou que a garota não tinha namorado, nunca se envolveu com drogas e muito menos tinha inimizades. 

O número de investigadores envolvidos na apuração destes 12 casos foi dobrado pela Secretaria de Segurança Pública. Pelas redes sociais, pessoas estão se mobilizando para cobrar a elucidação rápida dos assassinatos e também repassando orientações às jovens como forma de mudanças de hábito e prevenção. 

Além de acelerar as investigações e evitar o pânico, a Polícia deverá se desdobrar para evitar confusões ou tentativas de fazer justiça. Recentemente, um retrato falado de um dos suspeitos de envolvimento na morte de uma das 12 jovens, disseminado em uma fotomontagem através de uma rede social, causou dor de cabeça para um consultor de vendas de Goiânia, que acabou tendo sua fotografia  utilizada indevidamente junto à do motociclista suspeito, levando a crer que eram a mesma pessoa. Ele precisou denunciar o caso e se proteger contra possíveis justiceiros, andando sempre com familiares.

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