Polícia Civil soluciona apenas 5 de 21 chacinas

A Polícia Civil conseguiu esclarecer apenas 5 das 21 chacinas registradas no Estado este ano, ou 23% do total de casos. Esses crimes deixaram 88 mortos - 79 só na Grande São Paulo. Na capital, a periferia da zona norte lidera em número de casos. Dos dez do ano, oito ocorreram na região. Só duas dessas execuções foram consideradas solucionadas, ambas com suposto envolvimento de policiais militares. Dois deles estão detidos preventivamente no Presídio Romão Gomes. A forma de agir é quase sempre a mesma. Homens encapuzados surgem de madrugada em motocicletas e abrem fogo com pistolas. Em 14 de janeiro, no Jardim Brasil, quatro pessoas foram assassinadas. A polícia prendeu um soldado acusado de ser o autor dos disparos. Quatro meses depois, em maio, seis jovens foram mortos na região do Jaraguá. Um cabo foi preso. A Corregedoria da Polícia Militar disse que ainda apura casos em que testemunhas apontaram a participação de PMs em chacinas ocorridas em bairros das zonas norte e sul da capital, como Vila Brasilândia, Casa Verde, Água Fria, Vila Penteado e Itaim Paulista. "Não temos a identificação desses policiais, mas sabemos a área em que eles trabalham", disse o major Mauro José Fernandes Tavares, da corregedoria. MEDO Um dos sobreviventes da chacina ocorrida na Rua Charles Cameron, na Água Fria, zona norte, em julho, passa o dia aterrorizado em casa. Só sai para fazer o essencial: alguns trabalhos como autônomo e compras. Procurado pela reportagem, ele não quis falar, com medo. Moradores da rua - onde três pessoas morreram, entre elas um pedreiro sem passagem pela polícia - dizem que o crime foi cometido por PMs. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) confirmou que as armas usadas na execução eram de uso exclusivo da polícia. Elisa (nome fictício), morada do Jaraguá, disse que não se surpreendeu com a conclusão da investigação da chacina de maio e a prisão do cabo da PM. "Aqui policial é sinônimo de medo. Não dá para confiar", afirmou. Elisa disse que os moradores da região têm ido mais cedo para casa. "É uma forma de se prevenir." Quanto aos casos registrados fora da capital, o major Tavares disse que dois policiais estão recolhidos pela suspeita de participarem da maior chacina de 2007, no dia 16, em Ribeirão Pires, no ABC - oito pessoas foram mortas. Em Osasco, a investigação sobre um grupo de extermínio já levou à prisão de dois PMs. E 19 permanecem sob investigação.

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2024 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.