Polícia conclui as investigações sobre assassinato de delegado na Bahia

Dois acusados foram presos nesta quarta-feira e um terceiro se entregou à polícia na manhã desta quinta

Eliana Lima - O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2010 | 13h31

SALVADOR - A polícia baiana deu como concluídas, na manhã desta quinta-feira, 27, as investigações sobre o assassinato do delegado Clayton Leão, 35, ocorrido na manhã da quarta-feira, 26, na estrada Cascalheira, uma via alternativa que liga Salvador ao município de Camaçari, na Região Metropolitana. O delegado trabalhava em Camaçari. Numa entrevista coletiva na sede da Secretaria de Segurança Pública, logo após o sepultamento de Clayton, o secretário César Nunes e o delegado-chefe, Joselito Bispo, apresentaram os três acusados de envolvimento no caso e afirmaram estar convencidos de que a motivação do crime foi tentativa de assalto seguida de morte, descartando a hipótese de crime de mando.

 

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Dois dos acusados, Edson dos Santos e Reinaldo Valência, foram presos ainda na noite de ontem, graças à colaboração de um motorista de táxi, que teria sido vítima dos acusados momentos antes do assassinato. Os acusados estavam no táxi tomado de assalto quando emboscaram o delegado. Eles foram localizados em bairros diferentes da cidade de Camaçari. Um terceiro envolvido, identificado como Magno de Menezes dos Santos, se entregou na manhã de hoje e disse que sua participação no caso, foi apenas a de motorista dos criminosos.

 

Reinaldo Valência assumiu a autoria dos dois disparos. Contou que eles tentavam furtar mais um veículo e teriam encontrado as condições favoráveis já que o delegado estava parado na estrada, falando ao telefone. No momento da abordagem, Clayton dava uma entrevista ao vivo, pelo celular, a uma emissora de rádio de Camaçari, dizendo que a criminalidade estava em queda na cidade. O crime foi ouvido ao vivo pelos locutores e ouvintes da emissora.

 

Reinado afirmou ainda não saber que se tratava de um delegado, mas viu a arma entre as pernas de Clayton, que teria feito menção de pegá-la, momento em que ele efetuou os disparos.

 

A prisão rápida dos acusados, cerca de 12 horas após o crime, foi atribuída pelo secretário César Nunes, ao "trabalho bem feito, correto, dentro da lei", realizado pela polícia. Foi criada uma força-tarefa com a participação de 200 homens, entre agentes, escrivães e delegados para caçar os envolvidos. Os policiais civis que entraram hoje no nono dia em greve, abriram uma exceção para participar das investigações.

 

O delegado-chefe Joselito Bispo revelou que além do depoimento do taxista, foram determinantes para a elucidação do crime, o depoimento informal da mulher da vítima, que presenciou a ação dos criminosos, a localização do veículo e da arma usados pelo grupo, além da perícia no corpo do delegado.

 

Clayton Leão foi sepultado no Cemitério do Campo Santo, sobre forte comoção, entre aplausos e o som de violinos. "Nós vamos continuar trazendo mais policias, mais infra-estrutura a para polícia, mais inteligência para combater o crime. O crime não vai vencer. Foi uma perda importante para a policia Um perda sempre dói, como a perda de qualquer vida, mas isso não vai nos intimidar e vamos continuar trabalhando", declarou o governador Jaques Wagner, que esteve no velório. Ele admitiu ter sido "mais um assalto, mais um roubo, seguido de morte".

 

O delegado Clayton deixou viúva e dois filhos. O mais velho com cinco anos e outro ainda bebê.

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