Polícia conclui inquérito e indicia Bruno por cinco crimes

Goleiro, esposa, amante e outros 6 são acusados de homicídio e ocultação de cadáver, entre outros crimes

Eliane Souza, especial para o Estado,

29 de julho de 2010 | 20h43

O goleiro Bruno Fernandes de Souza, suspeito de ligação com o desaparecimento de sua ex-amante, Eliza Samudio, será indiciado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Segundo o inquérito de oito volumes, cerca de 1.600 páginas e três anexos, encerrado nesta quinta-feira, 29,  Bruno vai responder pelos crimes de homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores.

 

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Também foram indiciados pelos mesmos crimes os demais envolvidos: Luiz Henrique Ferreira Romão (Macarrão), Flávio Caetano de Araújo (Flavinho), Wemerson Marques de Souza (Coxinha), Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Elenilson Vitor da Silva, Sérgio Rosa Sales e Fernanda Gomes de Castro. Marcos Aparecido dos Santos (Bola) foi indiciado por homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

 

Na manhã desta quinta, o pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, esteve no Departamento de Investigações da Polícia Civil (DI), e disse estar satisfeito com o trabalho da Polícia e acredita que a justiça será feita. " Nós não temos dúvidas de que o Bruno é o responsável por este crime hediondo e cruel", afirmou.

 

O pai de Eliza disse ainda que não vê falhas nas investigações e acredita que esses argumentos estejam sendo usados como estratégia da defesa dos suspeitos de envolvimento no caso.

 

Defesa. Acompanhado do advogado, Sérgio Barros, ele reforçou que pretende entrar com ação judicial contra o governo do Rio de Janeiro, por acreditar que o Estado tenha sido responsável pela morte da filha. Ele criticou o fato da modelo não ter recebido a proteção adequada quando fez as primeiras denúncias contra o goleiro.

 

Sobre o fato de ter visto Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o responsável pela morte da modelo, Samudio afirmou que sentiu revolta, "foi uma sensação horrível". Ele notou que, ao contrário dos demais suspeitos, Bola se mostrava tranquilo.

 

Luiz Carlos disse ainda que vai processar o defensor de Bruno, Ércio Quaresma, pelas declarações de que Eliza pode estar viva e por ter incluído a jovem como testemunha no processo referente ao sequestro e lesão corporal contra Eliza no Rio, em 2009.

 

Samudio afirmou ainda querer que o Flamengo deposite em juízo o dinheiro que o clube supostamente deve a Bruno. Quaresma disse que o jogador teria cerca de R$ 1 milhão em salários atrasados. Sobre o filho de Eliza, cujo pai seria Bruno, Samudio disse que vai lutar pela guarda do neto, e ainda criar uma organização para defender o cumprimento da Lei Maria da Penha, além de processar o governo do Rio por não dar proteção à mulher em 2009.

 

Também nesta quinta, o goleiro raspou a cabeça no presídio de Contagem (MG). A informação foi dada pela Secretaria de Defesa Social. O cabelo do atleta foi queimado na sua frente, nesta semana, como garantia de que não seria usado em um exame de DNA.

 

O jogador se recusou a fornecer material para o teste. Macarrão e os outros cinco homens presos por suspeita de envolvimento no caso também tiveram a cabeça raspada, conforme a secretaria.

 

Na manhã de ontem, Bruno e mais seis suspeitos presos foram levados ao Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP). A polícia mineira disse que eles fariam coletas digitais. O procedimento de identificação criminal foi preparatório para o indiciamento do grupo.

 

A iniciativa foi criticada pela advogada Cintia Ribeiro, representante da Ordem Dos Advogados(MG), que disse que vai encaminhar relatório ao presidente da OAB-MG. Segundo ela, "já existe impressão digital, essa coleta não é necessária." 

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