Polícia conclui investigação de assassinato de servidor na BA

Dois meses depois do assassinato por espancamento do subcoordenador de contabilidade da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador (BA), Neylton Souto da Silveira, de 48 anos, dentro do prédio da SMS, a Polícia Civil baiana apresentou, na manhã desta quarta-feira, as conclusões a que chegou durante as investigações - sem apontar os mandantes do crime ou o motivo pelo qual teria sido cometido."O inquérito que estamos remetendo ao Ministério Público aponta apenas os autores materiais do crime, que foram Josemar dos Santos e Jair Barbosa da Conceição (vigilantes de uma empresa de segurança terceirizada que prestava serviços para a secretaria)", afirma o delegado Arthur Gallas, diretor do Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP)."Os primeiros depoimentos de Santos são coerentes com as provas materiais encontradas, o que justifica nossa acusação", diz Gallas. Dias depois, porém, Santos negou seus depoimentos iniciais - dizendo ter sido coagido. Neles, o vigilante ainda disse que o contratado para assassinar Silveira teria sido Conceição, que receberia R$ 20 mil pelo serviço e o chamou para ajudá-lo. Conceição nunca chegou a admitir a participação no assassinato.Sem provas suficientesApesar de a polícia não ter reunido provas suficientes para esclarecer totalmente o crime, o relatório das investigações, que corria sob segredo de Justiça, também aponta a subsecretária da Saúde, Aglaé Amaral Sousa, e a consultora financeira contratada pela secretaria, Tânia Maria Pimentel Pedroso, como suspeitas de ser as autoras intelectuais do assassinato.Contra elas, pesam os primeiros depoimentos de Santos, que as citou textualmente como mandantes, e a interceptação de ligações telefônicas, nas quais um interlocutor - ainda não identificado - sugeria que elas fugissem de Salvador. As duas foram afastadas da SMS, chegaram a ser detidas por cinco dias, mas foram liberadas. "Estamos ainda aguardando a quebra dos sigilos bancários e telefônicos das duas para reunirmos mais provas", afirma Gallas.MotivaçãoA motivação, segundo o delegado, são "possíveis atos de improbidade administrativa" descobertos por Silveira. A vítima era responsável pelo repasse de R$ 25 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS) a instituições da capital baiana. "Estamos analisando também o conteúdo de dois computadores usados pela vítima, onde achamos 2.571 arquivos dos mais diversos", informa. "Agora, cabe ao Ministério Público decidir se há subsídios para denunciar as suspeitas de serem as autoras intelectuais do crime".Apesar da frustração com os resultados apresentados pela polícia, uma cunhada da vítima, Lília Patrícia Bonfim, que estava presente na apresentação, disse estar esperançosa de que mais elementos sejam descobertos e possam incriminar os autores do crime. "Muita coisa ainda vai surgir".

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