Polícia Civil
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Dono de bar é 3ª vítima com morte confirmada por suspeita de intoxicação após beber cerveja

Vítima é um idoso de 89 anos, morador de Belo Horizonte; morte de mulher em Pompéu, na Zona Central de Minas, é investigada

Leonardo Augusto, especial para o Estado

16 de janeiro de 2020 | 08h54
Atualizado 16 de janeiro de 2020 | 18h28

BELO HORIZONTE - Morreu na madrugada desta quinta-feira, 16, em Belo Horizonte, a terceira pessoa suspeita de ter sido contaminada com a substância dietilenoglicol após consumir a cerveja Belorizontina, da fábrica Backer. A vítima era o empresário Milton Pires, de 89 anos, dono do bar Baiúca, na região centro-sul da cidade. O estabelecimento é revendedor da marca. 

O corpo foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML) da capital para necropsia. Pires tomou uma garrafa da cerveja Belorizontina no próprio bar junto com a mulher na terça-feira, 7. Ela não apresentou nenhum dos sintomas do quadro do marido que, como as outras possíveis vítimas intoxicadas com o dietilenoglicol, teve insuficiência renal grave e problemas de ordem neurológica.

Além de ser idoso, Pires tinha somente um rim, o que deve ter agravado seu quadro clínico, segundo clientes do bar. "Está todo mundo muito consternado. Era uma pessoa extraordinária. Tinha boa saúde. Era magro e caminhava todos os dias pela manhã", relata uma amiga da família, que preferiu não se identificar. "Era muito bem humorado também."

O dono do Baiuca morava em apartamento que fica em cima do estabelecimento. Um de seus amigos, além de vizinho, foi o escritor Roberto Drumond, autor do livro Hilda Furacão, que morreu em 2002. Ele deixa a mulher e seis filhos, que administram o bar. 

Morte de mulher no interior ainda é investigada

As duas primeiras mortes foram de um morador de Belo Horizonte, nesta quarta-feira, 15; e, no dia 7, de uma vítima residente em Ubá, na Zona da Mata. Todos deram entrada na rede de saúde com quadro de insuficiência renal e problemas de ordem neurológica.

A morte de uma mulher em Pompéu, na Região Central de Minas Gerais, também foi anunciada como suspeita pela Polícia Civil, mas ainda não foi somada às outras três.

A polícia explicou que "trata todos os casos como suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol até que o laudo fique concluído". "O prazo regular para finalização do laudo é 30 dias", informou, em nota.

Os investigadores trabalham com 18 notificações de pacientes com quadro típico de contaminação pela substância. Já a Secretaria de Estado de Saúde considera 17 notificações: 12 em Belo Horizonte e as outras cinco em Ubá, Viçosa, São Lourenço, Nova Lima e São João Del Rei.

Água contaminada na produção das cervejas

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou nesta quarta que a fábrica mineira Backer usou água contaminada na produção de suas cervejas. A análise do ministério detectou que a contaminação ocorreu dentro da cervejaria, mas ainda não há conclusão sobre de que forma. O ministério considera como hipóteses, por exemplo, o uso indevido ou vazamento de substâncias que refrigeram a produção, além da sabotagem. 

A pasta anunciou já ter encontrado seis lotes contaminados da cerveja Belorizontina e uma da Capixaba. Em quatro deles, foram identificadas as substâncias dietilenoglicol e monoetilenoglicol. Outros lotes estão sendo avaliados. 

 

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