Polícia confunde vítima de roubo com nadador Gustavo Borges

Embora a vítima não seja homônimo do campeão pan-americano, polícia de Foz do Iguaçu chegou a emitir uma nota oficial dizendo que ele tinha se passado pelo nadador; depois delegado voltou atrás e admitiu a trapalhada

Gustavo Miranda, do estadao.com.br,

27 Agosto 2007 | 19h13

Em menos de 24 horas, a polícia de Foz do Iguaçu conseguiu transformar o publicitário mineiro Gustavo Borja, de 31 anos, no nadador Gustavo Borges e, logo depois, em um falsário que teria se passado pelo nadador para aplicar golpes.   Tudo começou na quarta-feira passada, quando o publicitário, que mora em Belo Horizonte, recebeu um telefonema da polícia paranaense para confirmar se era dele mesmo um Fiat Stilo, avaliado em mais de R$ 50 mil, abandonado no estacionamento de um hotel da cidade - o carro fora roubado há 40 dias na capital mineira.   Após confirmar todos os dados do veículo, a polícia informou ao rapaz que o automóvel havia sido recuperado durante a Operação Foz Segura, deflagrada na semana passada para diminuir a criminalidade na região da tríplice fronteira - entre Brasil, Paraguai e Argentina. "Os policiais perguntaram se eu poderia ir buscar o carro na cidade. Todos foram muito solícitos e gentis comigo. Disse que poderia buscar o carro no sábado e tudo ficou acertado", contou o publicitário.   Em tempos de golpes cada vez mais inusitados, o publicitário resolveu confirmar se não estava sendo sondado por golpistas e foi cruzar as informações com a própria polícia mineira e em sites da internet. "Primeiro, procurei o telefone da delegacia que havia me ligado. Encontrei na internet mesmo e vi que era o correto. Também confirmei com a polícia. A gente tem medo de ser alvo de golpistas. Já tinha perdido um carro e não queria perder mais nada", diz Gustavo, o Borja.   Mesmo depois de ter conferido todas as informações, o publicitário ainda recebeu outro telefonema da polícia paranaense. "Dessa vez era o delegado, que reconfirmou todas as minhas informações. Perguntei para ele que documentos eu precisava levar para confirmar que o carro era o meu mesmo. Ele deu todas as orientações e, logo depois, perguntou: estão dizendo por aí que você é um nadador famoso. Isso é verdade? Na hora eu falei que não era, que o meu nome é Gustavo Borja e não Borges. Rimos um pouco e ele desligou logo depois", contou.   Logo ao chegar em Foz do Iguaçu, a surpresa. Os jornais da cidade noticiavam que a polícia da cidade havia recuperado o carro do campeão pana-americano de natação. "Ao chegar à delegacia, contaram para mim toda a confusão, de que a polícia havia pensado que se tratava do nadador. E que isso havia dado uma bagunça danada na cidade. Mas, o pior estava ainda por chegar", disse.   O pior porque Borja, além de primeiro ter sido confundido com o nadador, passou a ser chamado de "falsário" e foi acusado, pela própria Secretaria de Segurança do Paraná, de ter fingido ser Gustavo Borges. "Fiz uma busca no Google, sobre a confusão, e me surpreendi. Havia várias notícias sobre a confusão e todas diziam que eu me passava pelo nadador. Nunca falei que era ele. Inclusive, quando me perguntaram se era o nadador, neguei."   Segundo uma nota divulgada pela secretaria, "ao ser contatado, o proprietário, que teria o mesmo nome do campeão olímpico Gustavo Borges, fingiu para a polícia ser o nadador". O publicitário contesta: "como eu posso ter o mesmo nome do nadador, se meu nome é Borja. Eu disse isso para o delegado. E agora, sou apontado, inclusive por vários jornais, como um farsante, um falsário", diz indignado.   Após a nota emitida pela secretaria, que por meio de sua assessoria de imprensa se limitou a dizer que reproduziu o que o delegado responsável pela apreensão informou, o delegado-chefe da Divisão Policial do Interior da Polícia Civil, Luiz Alberto Cartaxo Moura, afirmou que houve uma precipitação por parte dos policiais. "Um policial achou que estava mesmo falando com o nadador. A imprensa ficou sabendo. Mas, no final das coisas, tudo foi um grande mal entendido. Porque, em nenhum momento, ele disse ser o nadador. O que foi divulgado pela assessoria de imprensa foi um engano", admitiu o delegado.   O publicitário ainda não sabe se vai processar o Estado do Paraná por conta da confusão. "Não quero tomar nenhuma atitude precipitada. Vou conversar com alguns amigos e ver o quanto essa história toda pode me prejudicar. Não fiz nada para enganar ninguém. É muito chato tudo isso, porque vincularam a minha história - de alguém que já foi prejudicado por três assaltantes que levaram meu carro - e agora parece que eu quis me beneficiar, sendo alguém que não sou", afirma.

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