Polícia cria equipamento para acelerar exame de balística

A polícia técnica do Rio desenvolveu um aparelho para ajudar na solução de crimes com armas de fogo: uma câmara de coleta de projéteis. O equipamento impede a deformação da cápsula, permitindo a comparação do projétil retirado do corpo da vítima com vários tipos de munição, para se descobrir de que arma partiu o disparo. A máquina diminui o tempo necessário para a confecção do laudo de confronto balístico.Criada por técnicos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), a câmara consiste em um tubo cilíndrico de aço revestido de algodão e vinha sendo planejada desde o ano passado por peritos criminais. Os tiros, que podem ser de diversos calibres, são disparados dentro do tubo e amortecidos pelo algodão, o que impede que os projéteis se deformem, facilitando o trabalho da perícia.O equipamento foi construído por uma empresa especializada em reciclagem e não teve custo para a polícia. O perito criminal do ICCE Hugo Monteiro Campos, responsável pela criação, garantiu que o processo de identificação de armas utilizadas em crimes, que pode durar até seis meses, será bastante simplificado.Até agora, a polícia vinha usando uma piscina de mergulho do Parque Aquático Júlio Delamari, anexo ao estádio do Maracanã, para dar os tiros. A água faz com que as cápsulas não sofram deformação - o que impediria a comparação. "No entanto, além de tomar muito tempo, esse método faz com que a bala se deteriore, o que não acontece na câmara", informou Campos.O técnico explicou que cada cápsula tem uma marca distintiva das demais, o que permite identificar de qual arma ela partiu. Para que a marca permaneça intacta é preciso que a cápsula esteja em perfeito estado. "É como se fosse uma impressão digital, que fica comprometida quando há deformações" disse a chefe do setor de balística do ICCE, Bianca Barreto.A câmara conta ainda com um cronógrafo, capaz de medir a velocidade da bala ao ser disparada."Em breve, estaremos "exportando" a máquina para todo o País", disse o secretário de Estado de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, que hoje acompanhou um teste com o aparelho, no prédio do ICCE, no centro do Rio. Quintal anunciou melhorias para a polícia técnica. O Instituto Médico Legal ganhará um novo prédio e serão criados 16 postos para técnicos. "No início do governo Garotinho fiz muitas críticas à polícia técnica. Mas até o fim da gestão teremos a melhor do Brasil", afirmou Quintal.

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